Um julgamento nos Estados Unidos colocou no centro do debate o papel das redes sociais no bem-estar de adolescentes. Um júri em Los Angeles decidiu que plataformas ligadas à Meta Platforms e à Google contribuíram para prejuízos à saúde mental de uma jovem usuária.

A ação foi movida por uma mulher de 20 anos, identificada apenas como Kaley. Ela relatou uso intenso das redes desde a infância e apontou que mecanismos como rolagem contínua e reprodução automática teriam favorecido um comportamento compulsivo. Segundo a defesa, o quadro evoluiu para problemas como ansiedade, depressão e distorção da própria imagem.

Após cinco semanas de julgamento, os jurados entenderam que houve responsabilidade das empresas. A indenização fixada soma cerca de US$ 6 milhões, divididos entre compensação por danos e penalidades. A decisão ainda pode ser contestada.

O entendimento é considerado inédito em tribunais americanos e pode influenciar outros processos semelhantes que tramitam no país. Para advogados envolvidos no caso, o resultado sinaliza que decisões de design adotadas pelas plataformas estão sob maior escrutínio judicial.

Em nota, a Meta Platforms informou que discorda do veredicto e avalia medidas legais. Já a Google também não reconheceu irregularidades.

Outras plataformas, como Snapchat e TikTok, chegaram a ser incluídas no processo, mas optaram por um acordo antes do início do julgamento.

Nova condenação amplia pressão sobre a Meta

Em menos de um dia, outra decisão judicial aumentou a pressão sobre a empresa. Desta vez, em New Mexico, a Meta Platforms foi condenada a pagar US$ 375 milhões em um processo relacionado à proteção de menores.

A ação, movida pelo procurador-geral Raúl Torrez, apontou falhas na prevenção de crimes envolvendo exploração infantil nas plataformas. O tribunal entendeu que a empresa não adotou medidas suficientes para alertar usuários sobre riscos nem para impedir a atuação de criminosos.

A companhia nega as acusações e informou que pretende recorrer da decisão.

As duas sentenças reforçam um cenário de maior cobrança sobre as grandes empresas de tecnologia, especialmente no que diz respeito à segurança digital e aos impactos das redes sociais sobre o público mais jovem.

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