Os artistas Ferrugem e Xande de Pilares apresentaram suas defesas judiciais em um processo que questiona o conteúdo de uma canção interpretada pela dupla. A ação foi movida após críticas de representantes da comunidade islâmica, que apontaram possível teor ofensivo na letra.
O caso foi levado à Justiça pela Associação Nacional de Juristas Islâmicos, que ingressou com uma ação civil pública contra os cantores e outros envolvidos na produção musical. A entidade sustenta que um trecho da música “Me Abraça” reforça estereótipos negativos ao associar seguidores do Islã à violência, o que, segundo a acusação, teria caráter preconceituoso.
Entre os pedidos feitos no processo estão a alteração da parte considerada ofensiva e o pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 30 mil.
Na defesa protocolada, os cantores argumentam que já interromperam a veiculação da música nas plataformas, o que, na visão deles, reduz a necessidade de novas medidas. Eles também destacam que atuaram apenas como intérpretes da obra, sem participação na composição da letra, e, por isso, não teriam autonomia para modificá-la.
Os artistas ainda afirmam que a música aborda um contexto de reconciliação amorosa, com linguagem figurada, sem intenção de promover qualquer tipo de ataque religioso. Segundo a defesa, não houve prática de discurso de ódio, e a interpretação do trecho contestado não pode ser dissociada do conjunto da obra.
Outro ponto levantado é o risco de interferência indevida do Judiciário na produção artística. Para os cantores, eventual imposição de mudanças no conteúdo poderia configurar censura.
Eles pedem que a ação seja rejeitada e demonstraram interesse em buscar um acordo por meio de conciliação. O processo, iniciado em 2023, ainda segue em tramitação e enfrenta entraves devido ao número de envolvidos.