O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a endurecer o discurso contra o Irã e estabeleceu um prazo de 48 horas para que o país avance em um acordo envolvendo o Estreito de Hormuz. A ameaça foi publicada neste sábado (4) nas redes sociais, onde o líder americano sinalizou consequências severas caso não haja avanço nas negociações.
Na mensagem, Trump relembrou que já havia dado um prazo anterior de dez dias e afirmou que o tempo está se esgotando. Segundo ele, se não houver entendimento imediato, a resposta dos Estados Unidos poderá ser dura.
Do lado iraniano, há indicação de flexibilização parcial. De acordo com a agência estatal Tasnim News Agency, o país passou a permitir a circulação de navios com cargas consideradas essenciais. Ainda assim, as embarcações precisam seguir regras impostas por Teerã, incluindo coordenação prévia de rotas e cumprimento de protocolos específicos.
Rota estratégica sob pressão
O Estreito de Hormuz é considerado o principal corredor marítimo para o transporte global de petróleo. Diariamente, cerca de 20 milhões de barris passam pela região, segundo estimativas do setor de energia.
Com o agravamento das tensões, o fluxo de navios foi afetado. Antes da crise, a travessia diária girava em torno de 130 a 140 embarcações. Nos últimos dias, o volume sofreu alterações e passou a operar sob maior controle e incerteza, impactando diretamente o comércio internacional de combustíveis.
ONU adia decisão e impasse continua
A crise também chegou à Conselho de Segurança da ONU. Uma reunião que discutiria a possibilidade de uso da força para garantir a navegação na região acabou adiada e ainda não tem nova data confirmada.
Críticas à Otan e defesa da economia
Além do embate com o Irã, Trump ampliou o tom contra a OTAN, classificando a aliança como enfraquecida e pouco confiável. Ele também voltou a atacar o jornal The New York Times, acusando o veículo de divulgar informações incorretas.
No campo econômico, o presidente destacou números recentes para reforçar sua política. Segundo ele, os Estados Unidos criaram 178 mil empregos em março, enquanto o déficit comercial caiu para US$ 57,35 bilhões em fevereiro, resultado que, de acordo com Trump, seria reflexo direto da estratégia tarifária adotada por seu governo.
O cenário, no entanto, segue instável. O prazo imposto por Washington aumenta a pressão internacional e mantém o foco global sobre uma das regiões mais sensíveis para o abastecimento de energia no mundo.