Quase 12 anos depois do assassinato que abalou a política de Itagimirim, no sul da Bahia, começa nesta segunda-feira (6) o julgamento dos acusados pelo crime. A sessão acontece no Fórum de Eunápolis, na mesma região onde o caso teve início.

Sentam no banco dos réus o ex-vice-prefeito Rogério Andrade, de 53 anos, apontado pelo Ministério Público como autor intelectual do homicídio, e Jamilton Neves Lopes, de 46, indicado nas investigações como responsável pelos disparos. Um terceiro suspeito, Sandro Andrade Oliveira, irmão de Rogério, ainda não foi localizado.

O crime ocorreu em 29 de julho de 2014, quando o então prefeito Rielson Lima, de 51 anos, foi morto a tiros em uma praça no centro da cidade. De acordo com a apuração policial, ele foi atingido por quatro disparos. Na época, Rogério ocupava o cargo de vice e assumiu a prefeitura após o atentado, permanecendo no comando do município por cerca de dois anos. Em 2016, tentou se reeleger, mas não teve sucesso nas urnas.

As investigações conduzidas pela Polícia Civil apontaram que o assassinato teria sido motivado por disputas políticas internas. Segundo o Ministério Público da Bahia, o rompimento entre os envolvidos teria sido provocado por desentendimentos relacionados a compromissos financeiros da campanha de 2012. A acusação sustenta que o prefeito se recusou a utilizar recursos públicos para quitar essas dívidas.

Ainda conforme a denúncia, houve uma reaproximação entre os envolvidos pouco antes do crime, considerada estratégica pela acusação. Nesse contexto, Rogério Andrade e o irmão teriam articulado a contratação de Jamilton para executar o atentado.

Rogério foi preso em outubro de 2020, por ordem da Justiça de Eunápolis, e segue custodiado após sucessivos pedidos de liberdade negados em diferentes instâncias. Em 2022, decisão do Superior Tribunal de Justiça foi mantida pelo ministro Nunes Marques.

Jamilton Neves Lopes foi localizado e preso em Brasília. Segundo a polícia, ele deixou a Bahia após o crime alegando temer pela própria vida, após a morte do irmão, em circunstâncias investigadas como possível tentativa de eliminar testemunhas.

Defesa contesta acusações

A defesa de Rogério Andrade nega qualquer envolvimento no assassinato e afirma que não há provas que o liguem ao crime. Os advogados também rebatem a versão de que o homicídio tenha relação com dívidas eleitorais, sustentando que todas as obrigações da campanha foram devidamente quitadas e comprovadas no processo.

Os defensores argumentam ainda que, durante a fase de investigação, não foram encontrados elementos suficientes para o indiciamento do ex-prefeito e que ele não possui ligação com pessoas apontadas como possíveis credores ou envolvidos em ameaças contra a gestão municipal.

Já no caso de Jamilton Neves Lopes, a defesa deve ficar a cargo da Defensoria Pública, embora a informação ainda não tenha sido oficialmente confirmada.

O julgamento deve reunir forte esquema de segurança e pode se estender por mais de um dia, diante da complexidade do caso e do número de testemunhas previstas.

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