A prisão dos cantores MC Ryan SP e Poze do Rodo, nesta quarta-feira (15), está ligada a uma investigação de grande porte que identificou a movimentação de mais de R$ 1,6 bilhão em um suposto esquema de lavagem de dinheiro.
Batizada de Operação Narcofluxo, a ação foi conduzida pela Polícia Federal após meses de monitoramento de transações consideradas fora do padrão, tanto no país quanto no exterior.
De acordo com as apurações, o grupo investigado utilizava uma rede estruturada para dar aparência legal a recursos de origem suspeita. Entre as estratégias apontadas está o uso de empresas para inserir dinheiro no sistema financeiro como se fosse fruto de atividades regulares.
Outra prática identificada foi a circulação de valores em espécie, fora do alcance direto dos mecanismos de controle, o que dificultava o rastreamento. Além disso, os investigadores detectaram o uso de criptomoedas como forma de fragmentar e ocultar a origem dos recursos.
O avanço da investigação ocorreu a partir do cruzamento de dados financeiros, que revelou movimentações incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos. A partir daí, a Polícia Federal passou a mapear a atuação do grupo e as conexões entre os investigados.
Nesse cenário, surgiram indícios que colocaram os dois artistas e outros nomes no foco da operação. Até o momento, no entanto, não foram detalhadas as funções individuais de cada suspeito dentro do esquema.
A ofensiva mobilizou mais de 200 agentes e resultou no cumprimento de dezenas de mandados judiciais em diferentes estados. Durante as diligências, foram apreendidos veículos, quantias em dinheiro, documentos e aparelhos eletrônicos que agora serão analisados.
Também foram determinadas medidas para bloqueio de bens e restrições a empresas ligadas ao grupo, com o objetivo de interromper a circulação dos recursos investigados.
Os suspeitos poderão responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As investigações seguem em andamento.