Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) trouxe à tona uma série de movimentações financeiras que colocam o Banco Master no centro de uma investigação em curso no Congresso. O documento, encaminhado à CPI do Crime Organizado, aponta que a instituição recebeu cerca de R$ 39 milhões oriundos de repasses feitos pelo Exército Brasileiro entre agosto de 2024 e outubro de 2025.

Os valores têm origem em parcelas de empréstimos consignados contratados por militares. Na prática, o Exército realizava o desconto diretamente na folha de pagamento dos servidores e transferia os recursos ao banco.

Fluxo financeiro levanta dúvidas

De acordo com o Coaf, o dinheiro era inicialmente direcionado a uma conta do Master no Banco Itaú. No entanto, o comportamento dessas movimentações chamou a atenção: os recursos permaneciam por um período muito curto antes de serem redistribuídos para outras contas dentro da própria instituição.

Esse tipo de operação, segundo o órgão, dificulta o rastreamento do destino final dos valores e impede a identificação de possíveis terceiros beneficiados. O relatório menciona ainda uma concentração relevante de recursos vinculados a ordens do próprio comando militar, o que acendeu um alerta técnico dentro do sistema de monitoramento financeiro.

Exército se posiciona

Em resposta, o Exército afirmou que os valores não têm origem pública, mas sim privada, pertencentes aos próprios militares que contrataram os empréstimos. A instituição reforçou que atuava apenas como intermediária operacional, responsável por efetuar os descontos e repassar os montantes ao banco credenciado.

A Força também destacou que não houve qualquer prejuízo aos cofres públicos e informou que o contrato com o Banco Master foi encerrado de forma unilateral em novembro de 2025. Desde então, a instituição está impedida de firmar novos contratos de crédito consignado com militares.

Crescimento acelerado e queda abrupta

Nos bastidores do sistema financeiro, o caso ocorre em meio ao colapso do Banco Master, que viveu uma trajetória de expansão agressiva antes de entrar em crise.

Sob controle do empresário Daniel Vorcaro, o banco ampliou operações, adquiriu outras instituições e apostou fortemente no crédito consignado como motor de crescimento. Em 2024, a carteira nesse segmento movimentou bilhões e chegou a concentrar milhões de clientes.

Mas a estratégia não se sustentou. Problemas de capital, falhas na gestão de risco e descumprimento de exigências regulatórias colocaram a instituição em rota de colisão com o Banco Central do Brasil, que acabou decretando a liquidação extrajudicial do banco em novembro de 2025.

Reclamações e pressão no setor

Além das questões financeiras, o banco também acumulou um volume expressivo de reclamações relacionadas a empréstimos consignados em plataformas oficiais e órgãos de defesa do consumidor, ampliando a pressão sobre sua atuação no mercado.

Agora, com os dados revelados pelo Coaf, o caso ganha uma nova dimensão e deve ser aprofundado pela CPI, que busca entender se houve irregularidades no fluxo dos recursos e quem pode ter se beneficiado das operações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *