Teve início nesta quarta-feira (17), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, o julgamento dos sete policiais militares acusados de envolvimento na morte de Geovane Mascarenhas de Santana. O júri popular deve se estender por até três dias.

O caso ganhou grande repercussão na Bahia após o desaparecimento do jovem, em agosto de 2014, durante uma abordagem policial. Dias depois, o corpo foi localizado em circunstâncias que chocaram familiares e a opinião pública.

Os réus respondem por homicídio qualificado, com agravantes que incluem motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima. De acordo com o Ministério Público da Bahia (MP-BA), parte dos acusados também responderá por ocultação de cadáver e roubo qualificado.

Estão sendo julgados os policiais Cláudio Bonfim Borges, Jesimiel da Silva Resende, Daniel Pereira de Sousa Santos, Alan Morais Galiza dos Santos, Alex Santos Caetano, Roberto dos Santos Oliveira e Jailson Gomes Oliveira.

Segundo a denúncia apresentada pelo MP-BA, Geovane foi abordado enquanto conduzia sua motocicleta na região da Calçada. A acusação sustenta que ele foi levado por policiais em uma viatura e posteriormente assassinado. O órgão afirma que a vítima foi mantida sob custódia dos agentes e não teve qualquer possibilidade de defesa.

As investigações apontam que outros quatro policiais chegaram a ser denunciados, mas acabaram não respondendo ao processo por falta de provas que comprovassem participação direta no crime.

Durante os depoimentos prestados na época, os militares alegaram que Geovane possuía características semelhantes às de um suspeito de assalto que atuava na região. Eles afirmaram que o jovem foi levado para reconhecimento por uma vítima do roubo, que não o identificou como autor do crime, e que posteriormente teria sido liberado.

Ainda em 2014, três dos policiais envolvidos chegaram a ser presos preventivamente nas dependências do Batalhão de Choque da Polícia Militar, em Lauro de Freitas. Após dois meses, eles foram colocados em liberdade.

A investigação conduzida pela Polícia Civil teve como peça-chave os registros do sistema de rastreamento por GPS da viatura utilizada na abordagem. A análise dos dados, somada a informações sobre escalas de serviço e movimentação de veículos policiais nos dias do desaparecimento, ajudou a identificar os agentes apontados como participantes do caso.

A expectativa é que, ao longo dos próximos dias, testemunhas, defesa e acusação apresentem seus argumentos antes da decisão do Conselho de Sentença.

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