Um capacete desenvolvido por uma empresa de Santos, no litoral de São Paulo, utiliza luz infravermelha para estimular regiões do cérebro e auxiliar no tratamento complementar de condições como depressão, ansiedade, enxaqueca, Parkinson e Alzheimer.

Batizado de HeadUp, o equipamento utiliza a fotobiomodulação transcraniana, técnica que aplica luz infravermelha de baixa intensidade sobre o crânio. A proposta é estimular a atividade celular e atuar em processos inflamatórios relacionados a algumas doenças neurológicas e psiquiátricas.

Segundo a Santos Tecnologia, responsável pelo desenvolvimento do dispositivo, mais de R$ 10 milhões foram investidos na criação da tecnologia. O projeto contou com a colaboração de instituições de ensino e pesquisa, como a Universidade de Pernambuco (UPE) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O equipamento possui certificações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

De acordo com o neurologista Juarez Harding, a luz emitida pelo capacete consegue atravessar o couro cabeludo e alcançar o tecido cerebral. O especialista, no entanto, destaca que a tecnologia não substitui os tratamentos convencionais e deve ser utilizada com indicação e acompanhamento médico.

Uma das pacientes que passou pelo protocolo de fotobiomodulação foi a recepcionista Camila Alves de Carvalho, de 45 anos, que sofria com enxaqueca crônica.

Antes do tratamento, ela relatava crises frequentes e precisava buscar atendimento hospitalar várias vezes por semana, mesmo utilizando medicamentos. Após o acompanhamento, afirmou estar há sete meses sem precisar ir ao hospital por causa das crises.

“Eu tinha crises três ou quatro vezes por semana. Hoje tenho outra qualidade de vida”, contou Camila.

Segundo a paciente, a frequência das crises caiu cerca de 70%. Ela ainda apresenta dores ocasionais, mas afirma que a intensidade e o impacto na rotina diminuíram significativamente.

A empresa também realiza estudos no Ambulatório de Neurologia Clínica de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, para avaliar o uso do equipamento no Sistema Único de Saúde (SUS).

Por ser portátil e ter baixo custo operacional, o HeadUp foi desenvolvido com a proposta de facilitar o uso em ambientes clínicos. A tecnologia também está sendo apresentada a instituições internacionais. A Santos Tecnologia informou que mantém intercâmbios científicos com universidades dos Estados Unidos, incluindo a Universidade de Massachusetts.

Apesar dos resultados iniciais e das pesquisas em andamento, a fotobiomodulação ainda é estudada para diferentes doenças neurológicas e psiquiátricas. Por isso, o uso do equipamento deve ocorrer dentro de protocolos médicos e não substitui medicamentos, psicoterapia ou outros tratamentos indicados por profissionais de saúde.

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