A Polícia Civil de São Paulo ampliou as investigações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e passou a apurar a atuação dos empresários Samara Martins, conhecida como Samara Pink, e Thiago Stabile. Ambos são sócios da influenciadora Virginia Fonseca na empresa de cosméticos WePink e foram convocados para prestar depoimento nesta sexta-feira na Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), em Santos.
O interesse dos investigadores está relacionado à antiga sociedade mantida pelos empresários com Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como “Japa do PCC”. Entre 2017 e 2022, Samara e Karen participaram da expansão da rede Pink Lash, especializada em extensão de cílios e comercialização de produtos de beleza. Nesse mesmo período, Thiago Stabile também integrou a gestão dos negócios, e os três chegaram a participar de diversas empresas voltadas ao setor.
As apurações apontam que, além da sociedade empresarial, os envolvidos mantinham uma relação de proximidade. A polícia busca esclarecer se houve movimentações financeiras que possam ter ligação com o esquema investigado.
Fundada em 2021, a WePink tem Virginia Fonseca como uma das sócias, com participação de 33% no negócio. Também fazem parte do quadro societário Samara Pink, Thiago Stabile e o empresário Lucas Chaopeng Tan. Em nota, a assessoria da influenciadora informou que ela não irá se manifestar sobre o caso.
Karen Mori foi presa em 2024 durante uma operação da Polícia Civil que investiga a suposta utilização de empresas para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas. Na ocasião, os agentes apreenderam mais de R$ 1 milhão em dinheiro vivo, além de cerca de US$ 50 mil em espécie.
Ela é viúva de Wagner Ferreira da Silva, conhecido como “Cabelo Duro”, apontado pelas autoridades como um dos principais integrantes do PCC na Baixada Santista. Segundo as investigações, após a morte do companheiro, ocorrida em 2018, Karen teria assumido parte da administração dos negócios ligados ao grupo criminoso e passado a exercer papel relevante na movimentação financeira atribuída à facção.
De acordo com a Polícia Civil, Wagner integrava a chamada Sintonia Final, considerada a instância máxima de comando do PCC. Esse núcleo reúne as principais lideranças da organização criminosa e, conforme as investigações, seria responsável por decisões estratégicas, incluindo a autorização de grandes operações financeiras, a coordenação do tráfico internacional de drogas e armas e a determinação de execuções. Integrar essa estrutura significa ocupar um dos mais altos níveis da hierarquia da facção.
Até o momento, Samara Pink e Thiago Stabile são investigados e foram chamados a prestar esclarecimentos. Não há denúncia formal nem condenação contra os empresários, e o caso continua sendo apurado pela Polícia Civil de São Paulo.