O drone, equipamento que ganhou espaço em atividades como filmagens, entregas, agricultura e fiscalização, passou a ocupar também um lugar preocupante no cenário da segurança pública brasileira.
Grupos criminosos vêm encontrando maneiras de aproveitar essa tecnologia para observar territórios, acompanhar a movimentação de forças de segurança e, em casos mais graves, transportar explosivos durante confrontos entre organizações rivais.
Os episódios mais recentes ganharam visibilidade no Rio de Janeiro, onde investigações identificaram uma sequência de ataques com drones adaptados para lançar artefatos explosivos. A polícia passou a tratar o uso desses equipamentos como uma nova modalidade de ameaça. (Folha de S.Paulo)
Mas o problema que chama a atenção das autoridades não está apenas nos ataques já registrados. A facilidade de aquisição de drones comerciais e a evolução dos equipamentos levantam uma preocupação maior: a possibilidade de organizações criminosas incorporarem cada vez mais recursos tecnológicos às suas operações.
O uso dos drones também não começou com os explosivos. Antes disso, os equipamentos já eram utilizados por criminosos para monitorar a movimentação policial e observar áreas controladas por grupos rivais. A tecnologia permite obter informações sem que integrantes das organizações precisem se aproximar fisicamente do local.
Esse tipo de utilização muda a dinâmica da segurança. Um equipamento pequeno, controlado a distância, pode funcionar como uma espécie de observador aéreo para quem está no solo.
Em Minas Gerais, a preocupação já levou o poder público a adotar tecnologia específica para identificar e combater drones utilizados de maneira irregular. O estado foi o primeiro do país a instalar um sistema desse tipo, segundo reportagem do Bom Dia Brasil. (Globoplay)
A discussão, portanto, deixou de ser apenas sobre o que aconteceu em determinadas comunidades do Rio. O que está sendo observado pelas forças de segurança é uma mudança no uso da tecnologia pelo crime organizado e a necessidade de acompanhar essa evolução antes que novas modalidades de ataque se tornem mais frequentes.
Especialistas também apontam que os drones oferecem uma vantagem importante para criminosos: permitem alcançar determinados pontos sem a exposição direta de quem está operando o equipamento. É justamente essa combinação entre baixo risco para o operador, mobilidade e capacidade de observação que preocupa as autoridades.
O cenário também mostra como ferramentas desenvolvidas para finalidades legítimas podem ser incorporadas por organizações criminosas. O mesmo tipo de equipamento utilizado para produzir imagens, acompanhar lavouras ou realizar inspeções pode ser adaptado para atividades completamente diferentes.
No Rio, a Polícia Civil chegou a criar uma estrutura específica para acompanhar o emprego de aeronaves não tripuladas por criminosos. A medida mostra que a resposta das forças de segurança também começa a mudar diante da nova realidade. (Folha de S.Paulo)
Por enquanto, os ataques com explosivos lançados por drones estão documentados principalmente no Rio de Janeiro. Não há evidências suficientes para afirmar que essa prática já esteja disseminada da mesma maneira por todo o país.
O alerta, porém, é nacional: à medida que a tecnologia se torna mais acessível, a segurança pública passa a enfrentar não apenas criminosos armados nas ruas, mas também uma disputa tecnológica que acontece à distância e pode colocar moradores, policiais e outras pessoas em risco.
A questão agora é acompanhar até onde essa tecnologia será incorporada pelas organizações criminosas e se as forças de segurança conseguirão avançar na mesma velocidade para impedir que drones deixem de ser apenas ferramentas de vigilância e se transformem em instrumentos de ataque.