O advogado Marcos Roberto Cebola e Silva apresentou representações a órgãos de controle do sistema de Justiça para pedir uma análise independente de processos que, segundo ele, apresentam possíveis inconsistências em provas e procedimentos. Entre os órgãos acionados estão o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), corregedorias e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A iniciativa ganhou repercussão após o advogado publicar uma série de 17 vídeos nas redes sociais, chamada “InPrudente”. No conteúdo, ele analisa documentos de diferentes processos e sustenta que algumas informações teriam sido utilizadas de maneira equivocada ou sem a devida comprovação.
Um dos casos apresentados envolve uma apreensão de 6,48 gramas de entorpecentes que, de acordo com a análise feita pelo advogado, teria aparecido posteriormente em documentos como uma quantidade superior a seis quilos. Ele afirma que a divergência teria sido reproduzida em diferentes peças do processo e que uma mulher acabou condenada a nove anos de prisão.
Outro episódio citado envolve um telefone celular. Segundo Cebola e Silva, o aparelho teria sido utilizado como elemento de uma acusação antes da data em que consta oficialmente como apreendido e periciado. Para o advogado, a cronologia dos documentos precisa ser esclarecida.
Ele também afirma ter identificado o desaparecimento temporário de páginas de um processo eletrônico. Conforme seu relato, os documentos teriam voltado a aparecer depois que o assunto foi questionado durante uma audiência.
A principal conexão apresentada pelo advogado com a prisão de Deolane Bezerra está na origem de informações utilizadas ao longo das investigações.
A Operação Vérnix, que levou Deolane à prisão preventiva em 21 de maio de 2026, investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e uma suposta ligação financeira com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A apuração começou anos antes da operação e teve entre seus pontos de partida bilhetes encontrados em uma penitenciária de Presidente Venceslau, em 2019. De acordo com a Agência Brasil, os documentos que deram início à investigação não mencionavam Deolane pelo nome.
Cebola e Silva afirma que, em um dos processos analisados por ele, Deolane teria sido mencionada durante uma audiência realizada em janeiro de 2023. Segundo o advogado, posteriormente o nome dela teria aparecido em alegações finais relacionadas ao processo.
A partir dessa sequência, ele questiona se informações surgidas durante os processos anteriores foram posteriormente incorporadas à investigação que culminou na Operação Vérnix.
O advogado também contesta a interpretação de movimentações financeiras atribuídas à influenciadora. Segundo ele, o valor de R$ 27 milhões divulgado como movimentação de Deolane teria considerado entradas e saídas bancárias, fazendo com que os mesmos recursos fossem contabilizados duas vezes. Ele sustenta ainda que os créditos efetivamente considerados seriam menores.
Essas afirmações, porém, fazem parte da análise apresentada pelo advogado e não representam uma conclusão oficial de que as investigações ou a prisão tenham sido ilegais.
Investigação ainda é contestada pela defesa
As autoridades responsáveis pela Operação Vérnix sustentam que a investigação identificou indícios de uma estrutura financeira utilizada para movimentar recursos supostamente relacionados ao PCC. Segundo informações divulgadas na época da operação, foram cumpridos mandados de prisão preventiva e determinadas medidas de bloqueio de valores e apreensão de bens.
Deolane está sendo investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em audiência de custódia, ela afirmou que os valores apontados na investigação estavam relacionados à sua atuação profissional como advogada.
A proposta apresentada por Cebola e Silva não busca, segundo ele, apontar antecipadamente um responsável pelas supostas irregularidades. O objetivo seria permitir que os documentos sejam examinados por órgãos independentes e que eventuais inconsistências sejam esclarecidas.
“Se está tudo certo, a apuração confirma e está tudo bem”, afirmou o advogado ao defender a necessidade de uma análise independente.
O caso, portanto, coloca em discussão não apenas a situação de Deolane, mas também a necessidade de verificar a origem, a integridade e a forma como determinadas provas foram utilizadas nos processos mencionados pelo advogado.
Até o momento, as alegações apresentadas por Cebola e Silva devem ser tratadas como questionamentos que aguardam apuração, e não como irregularidades já reconhecidas oficialmente pela Justiça ou pelos órgãos de controle.