O governo Jerônimo Rodrigues chegou a uma marca que chama atenção. Desde o início da atual gestão, foram apresentadas 24 operações de crédito que, juntas, chegam a aproximadamente R$ 32,2 bilhões em financiamentos solicitados.
A dimensão dos valores coloca uma pergunta difícil para o governo: depois de tantos bilhões anunciados em operações de crédito, por que problemas que atingem diretamente a população continuam sem uma solução definitiva?
É importante destacar que os R$ 32,2 bilhões correspondem ao conjunto das operações de crédito solicitadas e não significam que todo o valor já tenha sido desembolsado. Ainda assim, o tamanho da cifra reforça a necessidade de transparência e de uma prestação de contas detalhada sobre quanto foi efetivamente liberado, onde os recursos foram aplicados e quais resultados foram alcançados.
O pedido mais recente envolve cerca de R$ 5,49 bilhões para a Embasa, em uma operação na qual o governo estadual atua como garantidor do financiamento. Os recursos estão previstos para obras de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
Enquanto novos financiamentos são buscados, porém, problemas antigos continuam fazendo parte da rotina dos baianos.
Na saúde, um dos casos mais delicados é a situação da regulação. Famílias ainda relatam a espera de pacientes em estado grave por transferência para unidades hospitalares. A demora é tão conhecida que a fila chegou a ser chamada de “fila da morte” por pessoas que dependem do serviço público.
Para quem tem um familiar internado esperando uma vaga, pouco importa o tamanho do empréstimo anunciado. O que interessa é ter hospital, médico, exame, tratamento e transferência no momento em que o paciente precisa.
A mesma cobrança aparece na segurança pública. O governo tem apresentado redução nos índices oficiais de mortes violentas como sinal de melhora, mas a sensação de insegurança permanece forte em diversas regiões da Bahia.
Homicídios, confrontos armados, disputas entre grupos criminosos e a presença de facções continuam aparecendo no cotidiano. Em Salvador, um levantamento do Instituto Fogo Cruzado apontou que 339 escolas públicas foram impactadas por tiroteios em mais de dez dias letivos durante 2025.
Os números oficiais podem indicar avanços, mas a população também precisa sentir essa melhora na prática. Segurança não se resume a estatísticas: envolve poder sair de casa, circular pelo bairro e mandar os filhos para a escola sem medo.
E existe ainda outro ponto que precisa entrar nessa conta: o custo dos empréstimos.
A previsão de gastos com juros e encargos chegou a aproximadamente R$ 1,87 bilhão em 2026, cerca de 116% acima do previsto para 2023. Isso significa que os financiamentos não terminam quando o dinheiro é contratado ou quando uma obra é entregue. A dívida permanece e precisa ser paga ao longo dos anos.
Por isso, a discussão não deveria ser apenas sobre quanto o governo consegue contratar, mas sobre o retorno que esses recursos estão trazendo para a população.
Depois de mais de R$ 32 bilhões em operações de crédito solicitadas desde 2023, os baianos têm o direito de cobrar respostas objetivas: quanto já foi efetivamente liberado? Onde cada parcela foi aplicada? Quais obras foram concluídas? Quais problemas foram resolvidos? Quantos pacientes deixaram de esperar na regulação? E quanto o Estado ainda terá de pagar por esses empréstimos?
São perguntas legítimas para qualquer governo.
No fim das contas, o cidadão não quer apenas ouvir falar em bilhões. Quer ver esses bilhões transformados em obras, serviços e soluções que façam diferença no dia a dia.
Porque a dívida não fica apenas nos números do governo. Ela será paga ao longo do tempo com recursos públicos.
E se bilhões estão sendo comprometidos em nome do futuro da Bahia, a pergunta que permanece é simples: quando esse futuro vai começar a aparecer na vida de quem mais precisa do poder público?
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Redação: Valter Junior