O deputado federal João Bacelar (PL) voltou a ficar no centro das atenções políticas na Bahia após declarar apoio à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT). O gesto aconteceu durante um comício em Ribeira do Pombal, no sábado (22), onde Bacelar subiu ao palanque ao lado do governador e apareceu usando um adesivo com o número 13.

A escolha chama atenção porque Bacelar continua filiado ao PL, legenda que, na Bahia, está no campo adversário de Jerônimo e apoia ACM Neto (União Brasil) na disputa pelo Governo do Estado. Mesmo assim, o deputado decidiu tornar público que estará ao lado do governador na eleição.

A reação veio de dentro do próprio partido. O deputado estadual Leandro de Jesus (PL) classificou o episódio como um caso de infidelidade partidária e defendeu que Bacelar seja punido. Segundo ele, a direção nacional do PL já havia orientado os filiados a não apoiarem candidaturas de esquerda.

Leandro também questionou por que Bacelar permaneceu no PL durante a janela partidária se já apresentava posições diferentes das defendidas pela legenda.

E esse é justamente um dos pontos que mais chamam atenção no episódio.

Mudar de opinião faz parte da política. Um político pode rever seus conceitos, mudar de grupo e até apoiar um adversário de seu antigo campo. O problema aparece quando o eleitor começa a ter dificuldade para entender qual posição representa, de fato, aquele mandato.

Bacelar continua no PL, mas decidiu apoiar publicamente o principal adversário político da legenda na disputa pelo governo baiano. Para quem acompanha sua trajetória, a situação naturalmente levanta dúvidas sobre coerência e previsibilidade.

A situação ganha ainda mais peso porque, em maio deste ano, o próprio deputado já havia afirmado que Jerônimo chegava fortalecido para a eleição e avaliava que o governador tinha vantagem no cenário daquele momento.

Agora, a avaliação virou apoio declarado.

A consequência política também pode ser maior. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o partido possui uma norma que impede filiados de apoiar candidatos de esquerda e disse que o caso de Bacelar precisa ser analisado pelo Conselho de Ética. Entre as possibilidades citadas pelo dirigente estão a expulsão e o corte de recursos partidários.

Isso não significa, porém, que Bacelar já tenha sido expulso. A decisão ainda depende da análise interna do partido e da manifestação do próprio deputado.

O episódio coloca Bacelar diante de uma situação delicada: se sua posição política hoje está com Jerônimo e com o grupo petista, por que continuar em uma legenda que defende um projeto eleitoral diferente na Bahia?

Essa é uma resposta que interessa principalmente ao eleitor.

A política permite mudanças, mas também cobra explicações. Quando um político muda de direção, é natural que quem acompanha sua trajetória queira saber quais foram os motivos e quais compromissos continuam de pé.

No caso de João Bacelar, a dúvida agora não é apenas sobre quem ele pretende apoiar em 2026. É sobre qual caminho político ele pretende seguir daqui para frente.

Porque, para o eleitor, não basta saber para onde um político está indo. Também é preciso saber por que ele está indo para lá.

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Redação: Valter Junior 

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