O uso de medicamentos para emagrecimento por crianças e adolescentes tem preocupado especialistas. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) fez um alerta após vídeos publicados nas redes sociais mostrarem mães relatando o uso das chamadas canetas emagrecedoras nos próprios filhos.
Em uma das publicações, uma mãe afirma aplicar o medicamento na filha de 17 anos após recomendação médica. Em outro caso, uma mulher relata ter levado a filha, de 11 anos e 70 quilos, ao médico e recebido indicação para tratamento com tirzepatida.
A preocupação também envolve adolescentes que demonstram interesse por conta própria. Nas redes sociais, há relatos de jovens perguntando se poderiam utilizar os medicamentos para perder peso.
Segundo a SBP, a redução da ingestão de alimentos provocada por esses medicamentos pode fazer com que o adolescente consuma menos proteínas e minerais importantes justamente durante uma fase de intenso desenvolvimento. A consequência pode atingir o crescimento e favorecer a perda de massa muscular.
Especialistas também alertam para possíveis impactos psicológicos. O uso inadequado pode contribuir para o surgimento ou agravamento de transtornos alimentares, como anorexia e bulimia.
O alerta ocorre em um cenário de aumento do excesso de peso entre os mais jovens. Dados do Atlas Mundial da Obesidade apontam que mais de 17 milhões de brasileiros entre 5 e 19 anos estão acima do peso, sendo cerca de 7 milhões classificados como obesos.
Mesmo quando há indicação médica, o tratamento precisa ser acompanhado por profissionais de saúde. Entre os possíveis efeitos adversos estão pancreatite, hipoglicemia e formação de cálculos na vesícula.
Risco aumenta com produtos irregulares
A SBP também chama atenção para medicamentos comprados fora do país ou sem procedência conhecida. Um dos casos divulgados nas redes sociais envolve uma mãe que afirma ter intenção de comprar uma caneta no Paraguai para o filho de 12 anos, que pesa 93 quilos.
Para os especialistas, produtos adquiridos dessa forma representam um risco adicional, já que não há garantia sobre a composição, concentração ou condições de fabricação. Com isso, tanto o efeito esperado quanto as possíveis reações adversas podem ser imprevisíveis.
Além dos riscos físicos, pediatras destacam a influência da pressão estética sobre crianças e adolescentes. A recomendação é que esses medicamentos não sejam utilizados simplesmente para alcançar um determinado padrão de beleza ou promover emagrecimento rápido.
No Brasil, as canetas para emagrecimento autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exigem receita médica. A prescrição fica retida pela farmácia no momento da compra.
A orientação dos especialistas é que qualquer tratamento contra a obesidade nessa faixa etária seja individualizado e acompanhado por profissionais, levando em consideração o crescimento, a alimentação, a saúde física e os aspectos emocionais do paciente.