O vereador Luiz da Feira usou a tribuna da Câmara Municipal de Feira de Santana para fazer uma série de elogios ao governador Jerônimo Rodrigues. Durante o discurso, chamou o governador de “melhor governador da Bahia”, afirmou que ele vem fazendo um trabalho bonito por Feira de Santana e destacou a relação de proximidade que mantém com o chefe do Executivo estadual.

Luiz também falou sobre a convenção realizada em Salvador no dia 1º de agosto. Segundo o vereador, ele não conseguiu encontrar Jerônimo durante o evento e, depois, recebeu uma mensagem do governador dizendo que havia sentido falta do seu abraço. A declaração, segundo Luiz, o deixou emocionado e serviu de motivo para falar sobre gratidão, amor e carinho. O vereador ainda lembrou sua origem na roça e voltou a se definir como “tabaréu”.

Ninguém está questionando a história de Luiz da Feira ou sua origem. Isso faz parte da trajetória dele e é motivo de orgulho para muita gente. A questão é o discurso político. Em meio a tantos elogios ao governador, fica uma pergunta simples: por que o vereador não aproveitou o mesmo espaço para cobrar os problemas que continuam afetando a população da Bahia?

Se Jerônimo é, na avaliação de Luiz, o melhor governador da Bahia, seria interessante também ouvir do vereador quais são os pontos que ainda precisam melhorar. Afinal, não faltam assuntos para serem cobrados.

Na saúde, a regulação continua sendo uma preocupação para famílias que precisam de atendimento e aguardam transferência. Na segurança pública, a violência segue entre as principais preocupações dos baianos. Na infraestrutura, a BR-324 continua recebendo reclamações de quem utiliza diariamente a ligação entre Feira de Santana e Salvador.

A Ponte Salvador-Itaparica também é um projeto que merece acompanhamento. É uma obra anunciada há anos e que continua fazendo parte das expectativas para o futuro da infraestrutura baiana.

Luiz tem todo o direito de elogiar Jerônimo e reconhecer aquilo que considera positivo no governo. Isso faz parte da democracia. Mas o mandato de um vereador não deveria servir apenas para fazer elogios a quem está no poder. Também existe o papel de fiscalizar e cobrar.

E é justamente aí que o discurso poderia ter sido diferente. Em vez de apenas falar sobre a relação de amizade, o abraço e a gratidão pelo governador, Luiz poderia ter levado à tribuna as reclamações de quem enfrenta problemas na saúde, na segurança, nas estradas e em outras áreas.

Se depender de Luiz, Jerônimo terá os braços abertos em Feira de Santana e nos quatro cantos da Bahia. Mas quem sabe o governador também não esteja precisando ouvir algumas cobranças do vereador.

Porque político aliado também pode cobrar. Na verdade, deveria. A população não espera apenas aplausos para quem governa. Espera também alguém disposto a dizer, olhando para quem está no poder, aquilo que precisa ser resolvido.

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Redação : Valter Junior 

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