A retirada do sigilo de documentos da Operação Compliance Zero trouxe novos detalhes sobre a investigação que envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA) no caso Banco Master. Entre os documentos divulgados pelo Supremo Tribunal Federal está uma decisão do ministro André Mendonça que determinou uma constrição patrimonial de até R$ 5,95 milhões envolvendo um grupo de investigados ligado ao senador.

O valor, porém, não corresponde a um bloqueio exclusivo contra Wagner. A quantia é um limite global destinado a 16 alvos daquele núcleo da investigação, que também envolve familiares e pessoas apontadas como operadores financeiros.

Um dos principais pontos da apuração é um apartamento de alto padrão no empreendimento Poème Horto, em Salvador. Segundo a Polícia Federal, Wagner teria encaminhado a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, informações sobre a unidade 1702, avaliada em aproximadamente R$ 2,45 milhões. As mensagens, segundo a investigação, mostram que o próprio senador indicou o imóvel e forneceu dados da construtora e do empreendimento.

A PF também encontrou mensagens posteriores relacionadas aos dados necessários para realizar alterações no apartamento. Para os investigadores, o fato de o imóvel ter sido formalmente registrado em nome de uma terceira pessoa levanta a suspeita de que a verdadeira titularidade teria sido ocultada.

Outro eixo da investigação envolve R$ 3,5 milhões transferidos de uma empresa ligada a Augusto Lima para a BN Financeira, empresa relacionada ao núcleo familiar de Wagner. O ministro André Mendonça determinou medidas patrimoniais específicas dentro dessa frente da apuração.

Os investigadores também apontam outros benefícios que teriam sido oferecidos ao senador ou a pessoas próximas, entre eles utilização de aeronave particular e despesas relacionadas a eventos e shows. A PF tenta estabelecer se essas vantagens tiveram relação com uma atuação de Wagner em assuntos de interesse do Banco Master.

Entre as pautas citadas na investigação estão discussões sobre crédito consignado e a tentativa de viabilizar a venda do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB). A PF também apura se houve atuação política relacionada ao aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

Com a divulgação dos documentos, a investigação ganhou novos elementos públicos sobre a relação entre Wagner, Augusto Lima e pessoas ligadas ao grupo financeiro. O senador nega irregularidades e afirma que não recebeu vantagens ilícitas do Banco Master.

As suspeitas ainda são objeto de investigação e não representam condenação.

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