Fiji declarou emergência nacional de saúde diante do avanço dos casos de HIV. O país, que tem menos de 1 milhão de habitantes, estima que uma em cada 60 pessoas adultas esteja vivendo com o vírus. Cinco anos atrás, a proporção era de uma para cada 167.
Em 2025, foram registrados 2.106 novos diagnósticos, número 16 vezes maior que o de 2019. A UNAIDS estima que cerca de 9.100 pessoas viviam com HIV no país no ano passado, mas somente 39% sabiam da própria condição e 22% estavam em tratamento antirretroviral.
A transmissão sexual aparece como uma das principais formas de contágio. Entre os casos com a origem identificada, mais da metade estava relacionada ao contato sexual, enquanto mais de 42% envolvia o uso de drogas injetáveis. O crescimento desse tipo de transmissão também passou a preocupar as autoridades de saúde.
A situação entre gestantes e bebês também chama atenção. Duas em cada 100 mulheres grávidas vivem com HIV e, em 2025, 59 bebês nasceram infectados. Desse total, 18 morreram antes de completar um ano de idade.
Os dados oficiais apontam ainda 117 mortes relacionadas ao HIV em 2025, sendo 17 entre crianças de até 14 anos.
Diante do cenário, o governo anunciou uma ampliação dos serviços gratuitos de testagem, prevenção e tratamento. Também está prevista a implantação de um programa de distribuição de seringas e agulhas para pessoas que fazem uso de drogas injetáveis, além do aumento do acesso à PrEP, medicamento utilizado para prevenir a infecção pelo HIV.
O governo também criou um grupo formado por cinco ministros para tentar acelerar as medidas de enfrentamento e reduzir os obstáculos no atendimento. A UNAIDS classificou o crescimento das novas infecções em Fiji como um dos aumentos mais acentuados registrados no mundo nos últimos anos.