Exames realizados pela rede pública de saúde já identificaram 9.904 resultados positivos para HPV de alto risco desde o início da implantação do novo método de rastreamento no Sistema Único de Saúde (SUS). O vírus está associado ao desenvolvimento do câncer do colo do útero, uma doença que pode ser combatida com diagnóstico e acompanhamento realizados no momento adequado.

A identificação ocorre por meio do teste molecular DNA-HPV, que começou a ser incorporado ao SUS neste ano para substituir o Papanicolau. Diferentemente do exame tradicional, o novo método consegue detectar a presença do vírus antes mesmo de surgirem alterações nas células do colo do útero, permitindo que as pacientes sejam acompanhadas mais cedo.

Os resultados também chamaram atenção em uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com mulheres atendidas em um programa de rastreamento em Indaiatuba, no interior de São Paulo. O levantamento mostrou que o exame molecular possibilitou antecipar em aproximadamente dez anos a identificação de casos da doença.

Na comparação entre os métodos, a idade média de rastreamento foi de 49,3 anos com o Papanicolau. Já com o DNA-HPV, esse índice caiu para 39,6 anos.

A mudança no protocolo já chegou a 26 estados brasileiros. O Espírito Santo ainda não adotou o novo modelo, mas deverá receber os testes até o fim deste ano, conforme informações do Ministério da Saúde.

A preocupação com a doença também aparece nas projeções nacionais. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que o Brasil poderá registrar cerca de 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano até 2028.

Entre as mulheres brasileiras, esse é o terceiro tipo de câncer mais frequente. Apesar dos números, a identificação da doença em estágio inicial faz diferença no tratamento, com chances de cura que podem superar 95%.

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