Uma advogada foi presa na manhã desta quinta-feira (17) em Feira de Santana, durante a segunda fase da “Operação Skywalker”, realizada pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), através do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco). A ação contou também com o apoio do Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco/LD), da Polícia Civil.

O objetivo da operação é desarticular uma organização criminosa que atua de forma estruturada no tráfico de drogas e no comércio ilegal de armas e munições. De acordo com a delegada e coordenadora adjunta da Polícia Civil, Klaudine Passos, o mandado de prisão foi cumprido na casa da suspeita, cujo endereço não foi divulgado. Além da advogada, outra pessoa também foi presa.

Por ser uma profissional da advocacia, foi providenciada uma sala de Estado Maior no Complexo Policial, conforme prevê a lei. A advogada será encaminhada para audiência de custódia e, caso a Justiça mantenha a prisão preventiva, deverá ser transferida para o Conjunto Penal de Feira de Santana.

As investigações apontam que a advogada exercia um papel estratégico no grupo, atuando como responsável pela gestão financeira. Segundo o MPBA, ela usava sua posição para dar aparência de legalidade a movimentações de dinheiro ilícito, operando junto a outros membros da facção criminosa. Ao todo, 32 pessoas foram denunciadas por organização criminosa e financiamento ao tráfico de drogas.

O advogado de defesa da suspeita, Caio Vitor Menezes, disse ao portal Acorda Cidade que a prisão preventiva foi decretada por um juiz plantonista. Ele destacou que, até o momento, a defesa não teve acesso ao teor da denúncia nem ao relatório final do inquérito. “Ainda sabemos apenas de forma superficial que os fatos estariam ligados a questões financeiras”, explicou.

Caio Vitor também relatou que ainda não conseguiu conversar com a cliente, que permanece custodiada na carceragem da Polícia Civil. Ele classificou a prisão como “injusta” e “excessiva”. “Acreditamos que uma medida cautelar menos grave seria suficiente. Mas decisão judicial deve ser cumprida”, afirmou. Para ele, a prisão foi precipitada, já que ainda não há ação penal formalizada.

A subseção da OAB em Feira de Santana acompanha o caso desde o cumprimento do mandado. Segundo Daniel Vitor, secretário adjunto da entidade, a Ordem foi informada previamente sobre a prisão e acompanhou a operação para garantir que todos os procedimentos ocorressem dentro da legalidade.

Ele também destacou que Feira de Santana não possui sala de Estado Maior adequada para a custódia de advogados, algo que já foi reconhecido pela Justiça em situações anteriores envolvendo a mesma profissional. “Agora cabe ao Judiciário decidir se ela será transferida para Salvador ou permanecerá custodiada na cidade”, disse.

O representante da OAB reforçou que o papel da entidade é assegurar os direitos e acompanhar os trâmites formais, sem entrar no mérito da acusação. “Estivemos presentes desde o início da operação, inclusive na residência da advogada, para garantir a legalidade do processo”, finalizou.

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Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade

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