A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou uma parceria com a farmacêutica EMS para viabilizar a fabricação nacional de canetas aplicadoras de medicamentos usados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. O anúncio foi feito durante um evento em Brasília, que contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O acordo contempla a produção de medicamentos à base de liraglutida e semaglutida — substâncias que regulam os níveis de glicose no sangue e favorecem a perda de peso. Esses princípios ativos estão presentes em fármacos como o Ozempic e o Wegovy, aplicados por dispositivos semelhantes a canetas.
A parceria foi divulgada poucos dias após o lançamento da Olire, a primeira caneta emagrecedora fabricada inteiramente no Brasil, desenvolvida pela própria EMS. O produto também é indicado para o controle da obesidade e do diabetes tipo 2.
Produção em duas etapas
O acordo prevê a transferência completa da tecnologia de fabricação, incluindo tanto a produção do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) quanto a formulação final do medicamento. A fabricação será iniciada na planta da EMS, em Hortolândia (SP), e, em seguida, transferida para o Complexo Tecnológico de Medicamentos de Farmanguinhos, unidade da Fiocruz no Rio de Janeiro.
Embora ainda não exista um prazo definido para a nacionalização total do processo, a expectativa é que Farmanguinhos assuma progressivamente a produção, o que poderá reduzir a dependência de importações e, futuramente, diminuir os custos desses medicamentos.
Inclusão no SUS
Com a fabricação local, o Ministério da Saúde avalia ampliar o uso desses medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente para pacientes com obesidade grave. Atualmente, os tratamentos à base de liraglutida e semaglutida têm preços elevados e são de difícil acesso na rede pública.
Segundo o ministro Alexandre Padilha, o governo estuda a possibilidade de oferecer esses medicamentos a pacientes que estão na fila para cirurgia bariátrica, desde que estudos comprovem benefícios clínicos significativos.
Patentes perto do fim
O esforço de produção nacional também se antecipa à expiração das patentes desses medicamentos no Brasil. A patente do Ozempic, por exemplo, vence em março de 2026, o que deve facilitar a entrada de versões genéricas no mercado, ampliando o acesso e reduzindo os preços.
Outras empresas do setor, como Biomm e Hypera Pharma, já se preparam para lançar versões semelhantes. No entanto, o acordo entre a Fiocruz e a EMS é considerado pioneiro por envolver a transferência integral da tecnologia para o setor público.