No último sábado (8), integrantes da aldeia Caí e produtores rurais entraram em confronto no distrito de Cumurixatiba, em Prado, extremo sul da Bahia. A Força Nacional de Segurança Pública, presente na região desde abril, foi acionada para intervir. Não houve registro de feridos ou prisões.

O impasse é motivado por disputas territoriais. No domingo anterior (3), os indígenas ocuparam a área, alegando que o proprietário da fazenda havia bloqueado o acesso à praia local. O imóvel fica dentro da Terra Indígena Comexatibá, tradicionalmente ocupada pelo povo pataxó e reconhecida pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) desde 2014, embora ainda não homologada.

Segundo relatos de lideranças indígenas, cerca de 15 homens armados tentaram retomar a propriedade sem decisão judicial de reintegração. A tensão crescente levou à intervenção da Força Nacional.

O presidente da Associação do Agronegócio do Extremo Sul da Bahia (Agronex), Mateus Bonfim, apresentou outra versão: ele afirma que a fazenda foi invadida, funcionários foram rendidos e que um grupo de fazendeiros, sem portar armas, foi prestar apoio ao proprietário, sendo recebido a tiros. Sobre o acesso à praia, a Agronex informa que o comprador da terra apenas alterou o trajeto e se comprometeu a discutir com a comunidade uma nova passagem.

Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública destacou que a Força Nacional seguiu o planejamento da Funai, com foco na mediação e prevenção de conflitos em áreas sensíveis. No momento do incidente, equipes realizavam patrulhamento ostensivo e foram chamadas para apoiar a negociação entre indígenas e funcionários da fazenda. O órgão informou ainda que a situação foi resolvida de forma pacífica e que o patrulhamento na região foi reforçado.

A Força Nacional é um programa de cooperação coordenado pelo Ministério da Justiça, composto por policiais militares, civis, bombeiros e peritos, acionado em situações de emergência. A permanência dos agentes no local está prevista até 20 de outubro deste ano.

Força Nacional intervém em conflito entre indígenas e produtores rurais por disputa de território na Bahia — Foto: Reprodução

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