No Dia dos Pais, a rotina de Marcelo Teixeira Madeira, 50 anos, chama atenção pela entrega e pela força. Motorista de aplicativo em Juiz de Fora (MG), ele é pai solo de Davi, 20 anos, diagnosticado com transtorno do espectro autista (TEA).

Desde que assumiu sozinho a guarda do filho, há cinco anos, Marcelo vive um dia a dia intenso, com pouco espaço para si mesmo. “Minha vida mudou completamente, mas não me arrependo. Minha missão é preparar o Davi para seguir sem mim. Vivo por ele e para ele”, afirma.

O trabalho só acontece no curto período em que o filho está na terapia. Fora isso, toda a atenção é dedicada ao jovem. “O mais difícil é garantir o sustento. Já vivi preocupado pensando no que poderia faltar. Hoje, tento focar em cada dia.”

Apesar dos obstáculos, Marcelo diz que a convivência é especial. “Somos uma dupla inseparável. Mas, quando há muita gente por perto, ele fica ansioso e a situação complica.” Ainda assim, o pai se emociona ao lembrar do progresso de Davi: “No autismo, cada avanço é uma vitória. E ver essas mudanças me dá força para continuar.”

Suspensão de terapias afeta rotina

As sessões de terapia ocupacional, feitas em uma clínica particular, estão suspensas por falta de pagamento do plano de saúde. É a terceira interrupção, e o caso foi parar novamente na Justiça.

“Cada vez que ele para, perde parte do que conquistou. É doloroso ver isso acontecer”, diz. Sem o atendimento, Marcelo não consegue sair para trabalhar, pois não tem com quem deixar o filho. O orçamento depende da ajuda da mãe e de amigos. Quase todo o benefício de Davi é destinado ao plano e aos remédios.

Um propósito de vida

Antes de assumir a guarda, Marcelo trabalhava como taxista. Mesmo sendo do Rio, continuou em Juiz de Fora para ficar próximo dos filhos. Quando a mãe de Davi propôs que ele fosse morar com o pai, a resposta foi imediata: “Disse para juntar as coisas dele e trazer. Depois entrei com o pedido de guarda e curatela.”

Hoje, os outros dois filhos vivem na cidade e mantêm contato com o irmão. A mãe de Davi também convive com ele, mas não contribui financeiramente. Marcelo procura incentivar a autonomia do filho, pensando no futuro: “Não vou estar aqui para sempre. Quero deixá-lo o mais preparado possível. Ele já mudou muito. Isso me faz sentir que estou no caminho certo.”

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