Carros importados, cavalos de raça e fazendas de grande porte fazem parte da vida exibida pelo empresário paranaense Celso Fruet, hoje alvo de uma investigação da Polícia Civil do Paraná (PC-PR). Ele é suspeito de aplicar um golpe estimado em R$ 22 milhões contra agricultores da região de Campo Bonito, no oeste do estado, e está foragido desde o fim de julho.

Segundo a delegada Raiza Bedim, da cidade de Guaraniaçu, 109 produtores registraram queixas contra Fruet, proprietário de uma cerealista local. Há contra ele um mandado de prisão preventiva pelo crime de estelionato. A investigação aponta que, antes de desaparecer, ele teria esvaziado os silos da empresa e retirado computadores do escritório.

De acordo com relatos de agricultores, no dia 21 de julho, ao procurarem o empresário para negociar soja e milho armazenados no local, encontraram o prédio praticamente vazio e sem sinais do proprietário. Funcionários informaram que a cerealista havia sido vendida e que Fruet havia deixado a cidade.

Uma das vítimas, Marilete Pagani, afirma que perdeu 320 sacas de soja — o equivalente a cerca de R$ 38 mil — que seriam usadas para custear o tratamento do pai, portador de Alzheimer e Parkinson.

“Foi um choque. Contávamos com esse dinheiro para manter o tratamento. É desanimador perder tudo, depois de tanto trabalho, de abrir mão de fins de semana e feriados. Fica uma revolta enorme”, desabafou.

A delegada afirma que Fruet conquistava clientes oferecendo preços acima da média do mercado.

“Se a saca custava R$ 100, ele pagava R$ 104 ou R$ 105”, explicou.

Ainda segundo a polícia, o empresário já havia sido investigado anteriormente por crimes semelhantes em Capanema e Virmond, na região de Guarapuava, adotando o mesmo esquema para atrair e lesar produtores.

Procurado pela Justiça

A Polícia Civil informou que tentou intimar Fruet duas vezes para depor, sem sucesso. A possibilidade de um interrogatório online chegou a ser oferecida, mas, segundo a delegada, o advogado alegou não ter contato com o cliente.

“A investigação não pode depender da boa vontade do investigado”, declarou Bedim.

Em nota, a defesa, representada pelo advogado Higor Fagundes, afirmou que solicitou acesso ao inquérito — que tramita em sigilo — para conhecer os fundamentos da prisão.

Segundo o advogado, Fruet “sempre esteve à disposição”, mas que “agendar uma oitiva de um dia para o outro, ainda mais em outra cidade, é inviável diante de compromissos profissionais”. Ele acrescentou que está sendo preparado um plano de reestruturação da empresa para garantir o pagamento dos credores.

A cooperativa Copacol, que adquiriu a estrutura da cerealista por cerca de R$ 40 milhões, informou que a compra foi restrita ao imóvel e aos equipamentos, cumprindo todos os requisitos legais.

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