A Ordem dos Advogados da Bahia (OAB-BA) enviou um ofício à Secretaria de Segurança Pública do estado (SSP-BA) pedindo providências imediatas após o assassinato de três mulheres em Ilhéus, no sul da Bahia. O município aparece como a oitava cidade mais violenta do estado, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
O documento foi encaminhado ao secretário da pasta, Marcelo Werner, na segunda-feira (18), dois dias depois de os corpos terem sido encontrados com marcas de facadas. As vítimas eram duas professoras e a filha de uma delas. Até esta quinta-feira (21), ninguém havia sido preso.
Segundo a OAB, além do caso em Ilhéus, outras seis mulheres foram mortas de forma brutal na Bahia apenas em agosto — mês que simboliza a luta pelo fim da violência contra a mulher. Os nomes das vítimas não foram divulgados.
No ofício, a entidade destacou a vulnerabilidade dos moradores e turistas em Ilhéus, “que deveria ser sinônimo de tranquilidade”.
Ainda de acordo com o Anuário de Segurança Pública, o município ocupa a 19ª posição entre os mais violentos do Brasil, à frente de Salvador, que está em 20º lugar. Os dados se referem ao ano de 2024.
Crime ainda cercado de mistério
O que se sabe e o que ainda precisa ser esclarecido sobre o assassinato de três mulheres após passeio com cachorro na Bahia
As vítimas foram identificadas como Alexsandra Oliveira Suzart, 45 anos, Maria Helena do Nascimento Bastos, 41, e Mariana Bastos da Silva, 20. Elas desapareceram na tarde de sexta-feira (15), após saírem para passear com um cachorro na Praia dos Milionários, uma das mais conhecidas da região.
Imagens de uma câmera de segurança mostram as três caminhando juntas pela areia. Os corpos foram encontrados no dia seguinte (16), em uma área de mata próxima à praia. Segundo o delegado responsável, Helder Carvalhal, não havia indícios de violência sexual.
O cachorro de uma das vítimas foi localizado vivo, amarrado a uma árvore, ao lado dos corpos. A polícia voltou ao local em busca da arma do crime, mas até esta quinta-feira (21) o objeto não havia sido encontrado. Equipes também analisam imagens de mais de 15 câmeras de segurança da região para tentar identificar suspeitos.
O caso causou forte comoção em Ilhéus, onde já foram realizados três protestos desde o crime. Em um deles, centenas de pessoas marcharam da Catedral de São Sebastião até o Palácio Paranaguá, prédio histórico que já sediou a prefeitura, pedindo rapidez nas investigações e justiça pelas vítimas.