O número de brasileiros deportados dos Estados Unidos entre janeiro e agosto de 2025 já ultrapassa o total registrado nos últimos três anos somados.
De volta a Itambacuri, no leste de Minas Gerais, Lisdete Gonçalves dos Santos e a esposa, Sandra Pereira de Souza, contam como a experiência terminou de forma dolorosa. Após três anos e meio vivendo em território americano, a família foi obrigada a retornar.
“Tudo o que deixamos lá não conseguimos recuperar até agora”, lamenta Lisdete, que trabalhava como pedreiro.
Sandra, secretária, acredita que a situação poderia ter sido diferente:
“Se tivéssemos entrado legalmente, não passaríamos por tantos problemas”, disse.
De acordo com dados oficiais, 1.844 brasileiros foram deportados apenas nos primeiros oito meses deste ano. A maior parte ocorreu durante o governo Trump, enquanto 114 foram registrados ainda na gestão de Joe Biden. A projeção do governo brasileiro é que esse número continue crescendo até dezembro.
Segundo o Ministério dos Direitos Humanos, desde agosto os EUA intensificaram a frequência de voos de deportação para o Brasil: agora são semanais, enquanto antes aconteciam a cada 15 dias.
Para Élida Lauris, secretária nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, essa mudança reflete uma nova postura do governo americano:
“Sempre houve deportações. O que se observa agora é a consolidação de uma política mais estruturada e intensificada, com periodicidade semanal.”
A professora de Relações Internacionais e Direito da UFMG, Carolina Moulin, destaca que a promessa de endurecer o combate à imigração foi central nas campanhas de Donald Trump e se traduz no orçamento destinado ao setor:
“Estima-se que sejam destinados cerca de US$ 175 bilhões à agência de imigração e fronteira. É um valor superior ao orçamento militar da maioria dos países do mundo — um verdadeiro orçamento de guerra voltado à repressão de imigrantes em situação irregular e ao fortalecimento de um sistema de vigilância cada vez mais tecnológico.”