A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta sexta-feira (12/9), dois dos principais investigados em um esquema bilionário de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Foram detidos Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o empresário Maurício Camisotti. As prisões preventivas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após a constatação de risco de fuga e sinais de ocultação de patrimônio.
As detenções integram a Operação Sem Desconto, considerada uma das maiores ofensivas contra desvios em aposentadorias e pensões já conduzidas no país. O rombo estimado chega a R$ 6 bilhões.
Antunes foi preso em Brasília e é apontado como o articulador político do esquema, responsável por intermediar o contato entre associações de aposentados e entidades que realizavam descontos irregulares nas mensalidades. A investigação mostra que ele movimentou ao menos R$ 53 milhões, sendo R$ 9 milhões destinados a pessoas ligadas a servidores do INSS. Também foram encontrados indícios de blindagem patrimonial: além de figurar como representante de uma empresa registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, ele teria adquirido imóveis de alto padrão à vista, incluindo uma casa avaliada em R$ 3,3 milhões no Lago Sul, em Brasília.
Já Camisotti foi capturado em São Paulo, acusado de atuar como sócio oculto de uma das instituições beneficiadas pelas fraudes. Sua defesa classificou a prisão como ilegal e anunciou que recorrerá.
Durante as diligências, agentes também cumpriram mandados na residência e no escritório do advogado Nelson Willians, em São Paulo, onde foram apreendidas dezenas de obras de arte e documentos. Em outra frente, na casa de Fernando Cavalcanti, ex-sócio de Willians, em Brasília, a PF localizou uma Ferrari vermelha, uma réplica de carro de Fórmula 1 de Ayrton Senna, relógios de luxo e quantias em dinheiro.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, e contou com dois mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão, realizados no Distrito Federal e em São Paulo.
Como funcionava o esquema
Segundo a PF, associações e sindicatos incluíam aposentados em cadastros sem consentimento, utilizando assinaturas falsificadas para efetivar descontos diretos nos benefícios. Empresas ligadas a Antunes serviam como intermediárias, recebendo os valores desviados e redistribuindo-os a pessoas físicas e jurídicas associadas ao esquema.