Uma mulher de 46 anos foi resgatada em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, após passar 36 anos trabalhando como empregada doméstica sem receber salário. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, ela começou a morar com a família ainda criança, aos 10 anos, e permaneceu à disposição total dos empregadores, realizando tarefas domésticas exaustivas sem qualquer remuneração. Além dos serviços de casa, preparava alimentos, doces e salgados para uma lanchonete anexa à residência, também de propriedade da família, atuando no atendimento e na limpeza.
O resgate foi realizado pela Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT), que retirou a mulher da residência. Os procedimentos seguem para assegurar seus direitos trabalhistas e reinseri-la na sociedade. Uma audiência com os empregadores está marcada para a próxima terça-feira (16), visando o pagamento das verbas devidas. A operação contou com apoio de uma procuradora do trabalho, uma defensora pública da União, um servidor do Ministério do Trabalho e dois policiais federais.
Outro caso em Poções
Na cidade de Poções, a 68 km de Vitória da Conquista, outra empregada doméstica, de 86 anos, foi resgatada em maio deste ano. Ela começou a trabalhar ainda criança na casa dos pais da atual empregadora e permaneceu por mais de 70 anos sem autonomia sobre sua própria vida, sem poder sair desacompanhada e sem contato social.
O Ministério do Trabalho informou que, na juventude, a mulher sofreu abuso sexual e teve um filho, que foi doado sem seu consentimento, sem que ela tivesse qualquer contato com a criança. Recentemente, o filho tentou localizar a mãe, mas a família empregadora impediu o encontro.
A empregadora atual é médica do trabalho e proprietária de clínica na cidade. A AFT lavrou autos de infração e encaminhará relatório para órgãos competentes para que medidas legais sejam tomadas.
Denúncias
Para casos de trabalho análogo à escravidão, o Sistema Ipê permite denúncias online. O denunciante não precisa se identificar, sendo suficiente fornecer o máximo de informações possíveis para que a fiscalização investigue o caso.