A disputa pelo mercado de medicamentos para emagrecimento e controle da obesidade ganhou um novo capítulo. As fabricantes Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro, e Novo Nordisk, criadora do Wegovy e do Ozempic, divulgaram quase ao mesmo tempo resultados promissores de testes com versões em comprimido, alternativa que pode ampliar ainda mais o uso desses tratamentos em relação às tradicionais canetas injetáveis.

A Novo Nordisk publicou, nesta quarta-feira (17/9), na revista The New England Journal of Medicine, dados de um estudo que avaliou uma formulação oral de semaglutida, princípio ativo do Wegovy. A divulgação ocorreu um dia depois de a concorrente Eli Lilly apresentar no mesmo periódico os avanços de sua própria aposta em pílulas.

No caso da Novo, trata-se de uma dose mais alta de semaglutida em cápsula — 25 mg —, enquanto a versão já disponível, o Rybelsus, é indicada apenas para diabetes tipo 2 e em dosagem bem menor (3 mg). No ensaio clínico, 205 voluntários tomaram a medicação por 64 semanas e perderam, em média, 13% do peso, contra 2,2% do grupo placebo. Náusea e desconforto gastrointestinal foram os efeitos adversos mais comuns. Quase um terço dos participantes eliminou 20% ou mais do peso corporal. A farmacêutica já submeteu o novo produto à FDA, agência reguladora dos EUA, e espera decisão até o fim do ano, com produção piloto em andamento.

Canetas já aprovadas no Brasil

  • Mounjaro (tirzepatida – Eli Lilly): redução de até 25% do peso corporal em estudos, um dos melhores índices entre os tratamentos autorizados.
  • Wegovy e Ozempic (semaglutida – Novo Nordisk): aplicação semanal; o Wegovy é indicado para obesidade (IMC a partir de 30 ou de 27 com comorbidades), enquanto o Ozempic é destinado a diabetes tipo 2, embora seja usado off-label para emagrecimento.
  • Victoza e Saxenda (liraglutida): pioneiros entre os injetáveis para diabetes tipo 2, com uso diário; podem levar a perda de cerca de 6% do peso em seis meses, apesar de não terem indicação específica para emagrecer.

A nova aposta da Eli Lilly

A farmacêutica americana também apresentou dados animadores, mas com uma molécula inédita: a orforgliprona. Em estudo com 3.127 pessoas, a maior dose testada resultou em uma perda média de 12,4% do peso em 72 semanas; cerca de 20% dos participantes reduziram ao menos um quinto da massa corporal. Os efeitos colaterais foram parecidos com os da semaglutida, porém com vantagem prática: a ingestão não exige jejum. A empresa projeta vendas anuais de até US$ 25 bilhões e deve solicitar aprovação à FDA ainda este ano.

Preço e acesso

Os medicamentos à base de GLP-1 vêm ganhando destaque, mas o alto custo — que pode superar dois salários mínimos por mês no Brasil — limita a inclusão no SUS. A produção em comprimidos tende a baratear a distribuição e facilitar o armazenamento, o que pode ampliar o acesso e acelerar a popularização desses tratamentos.

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