O policial militar Amauri dos Santos Araújo recebeu uma sentença de 33 anos e 8 meses de prisão pelo assassinato da dentista Ana Luiza Dompsin, ocorrido em 2021, com um tiro na nuca. A decisão foi proferida pelo Tribunal do Júri de Pedra Azul, em Minas Gerais, local onde ele foi julgado. Tanto o réu quanto a vítima são baianos, e o crime aconteceu na cidade de Divisa Alegre, onde Ana Luiza trabalhava.

Segundo as informações do tribunal, o crime foi classificado como feminicídio qualificado, considerando motivo torpe, dificuldade de defesa da vítima e violência de gênero. O juiz responsável pelo caso ressaltou que Amauri possuía histórico de agressões contra Ana Luiza e agiu movido por ciúmes e sentimento de posse.

Além do homicídio, o policial foi condenado por fraude processual, por alterar a cena do crime, e deverá pagar 640 dias-multa.

O júri teve início na manhã de terça-feira (16) e se estendeu até a noite de quarta-feira (17). Em nota, a defesa de Amauri afirmou que a condenação “vai de encontro a todas as provas constantes dos autos, inclusive àquelas apresentadas pela própria acusação”.

Relembre o caso

O crime aconteceu na madrugada de 23 de março de 2021, dentro da residência de Ana Luiza, em Divisa Alegre. Ela foi atingida por um tiro na nuca. A polícia chegou ao local após denúncia anônima. Natural de Vitória da Conquista, Ana Luiza vivia em Minas Gerais há três anos, onde mantinha seu consultório odontológico.

Amauri Araújo foi preso em 15 de abril de 2021, dez dias após a Justiça decretar sua prisão preventiva. Na ocasião, ele estava em Cândido Sales, cidade onde atuava como policial militar, e foi abordado por agentes de Pedra Azul. Inicialmente, Amauri alegou que Ana Luiza teria usado sua própria arma para tirar a vida, versão que foi contestada pelas investigações.

De acordo com relatos, a mãe da vítima disse que Ana Luiza havia informado por telefone que pretendia terminar o relacionamento com o militar. Pouco depois, o encontro entre eles resultou na morte da dentista. Após a prisão, Amauri chegou a aguardar o julgamento em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, mas, em julho de 2025, a Justiça determinou sua prisão preventiva até a sentença.

Com a condenação, o policial cumprirá a pena em regime fechado e perdeu o cargo na Polícia Militar. A decisão é de primeira instância e ainda pode ser contestada em recurso.

Nota da defesa do policial militar

“Trata-se de uma sentença que, desde o início, já parecia delineada. A condenação de Amauri vai contra todas as provas constantes nos autos, inclusive aquelas apresentadas pela acusação. Destaca-se a ausência de justificativas nos laudos periciais quanto à não realização de exames papiloscópicos nas mãos do acusado e da vítima, omissão relevante e inexplicada.

Além disso, foram ignoradas as provas distribuídas em mais de dez mil páginas, que indicam a possibilidade de autoextermínio de Ana Luiza. A defesa também destaca que, apesar de ter sido deferido liminarmente pedido de desaforamento pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, posteriormente ele foi negado definitivamente.

A sentença, portanto, contraria o conjunto probatório e caracteriza uma “sentença anunciada”, prejudicando o devido processo legal e o direito à ampla defesa.”

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