Mesmo antes de ser oficialmente instaurada, a CPI do Crime Organizado já é vista com preocupação dentro do Palácio do Planalto. Assessores próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a nova comissão pode representar um risco político mais significativo para o governo do que a CPI do INSS.

A leitura entre auxiliares é que a oposição tende a usar a investigação sobre o crime organizado como uma ferramenta mais potente de desgaste, especialmente por envolver temas ligados à segurança pública, um ponto considerado sensível para o governo federal.

No caso do INSS, o Planalto conseguiu reduzir o impacto negativo ao antecipar medidas de ressarcimento às vítimas antes mesmo da instalação da comissão, o que teria amenizado críticas. Já a CPI do Crime, segundo interlocutores, tem maior potencial de gerar repercussão e discursos políticos contrários à atual gestão.

Com esse cenário, a estratégia do governo é reforçar sua articulação no Congresso para acompanhar de perto a condução da CPI. O Planalto deve mobilizar líderes aliados e parlamentares experientes para tentar controlar a narrativa e evitar que a comissão seja dominada pela oposição.

Paralelamente, o governo pretende acelerar a tramitação de duas pautas consideradas prioritárias: a PEC da Segurança Pública e o projeto de lei antifacção, sancionado por Lula na última semana.

A CPI do Crime Organizado foi anunciada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após a megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro. A previsão é que o colegiado seja instalado nesta terça-feira (4). O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento de criação, é o nome mais cotado para relatoria.

O PT, por sua vez, busca assegurar a presidência da comissão e, caso obtenha o posto, deve indicar o senador Fabiano Contarato (PT-ES) para comandar os trabalhos.

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