O aumento das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a uma série de itens brasileiros acabou provocando uma mudança significativa no destino das exportações do país. Desde que a alíquota sobre esses produtos saltou para 50% em agosto, houve uma migração expressiva das vendas externas para mercados como China e Argentina. Os dados fazem parte de um levantamento divulgado pelo Ministério da Fazenda nesta quinta-feira (15).
O relatório analisou o desempenho das exportações entre agosto e outubro, comparando o período de 2024 com o de 2025. Antes do tarifaço, a taxação média para os produtos brasileiros era de 10%. Com o impacto direto no custo final, as vendas para os norte-americanos encolheram, especialmente em setores estratégicos.
No caso do petróleo bruto, por exemplo, o recuo nas exportações para os EUA chegou a 30,3%, equivalente a US$ 404 milhões. A queda também atingiu outros segmentos importantes: carne bovina congelada (-60,5%), celulose de eucalipto (-33%) e ferro bruto (-27,8%). O açúcar refinado praticamente deixou de ser enviado, registrando retração de 91,6%.
China e Argentina absorvem parte das perdas
Enquanto os Estados Unidos reduziram compras, China e Argentina ampliaram a demanda por produtos brasileiros. Juntos, os dois países impulsionaram as exportações em 25,7% e 22%, respectivamente, o que representou um ganho de US$ 6,5 bilhões no período analisado.
A recomposição, contudo, se deu com perfis distintos. Para a Argentina, cresceram especialmente as vendas de automóveis, caminhões-trator, energia e veículos leves. Já no comércio com os chineses, o destaque ficou por conta de itens tradicionais da pauta brasileira: soja, carne bovina, petróleo e minério de ferro.
As informações integram a apresentação do Boletim Macrofiscal de Novembro, documento bimestral do Ministério da Fazenda que atualiza projeções econômicas e inflacionárias usadas no planejamento do orçamento federal.
Crédito para mitigar impactos
O governo também detalhou os resultados do Plano Brasil Soberano, programa criado para ajudar empresas prejudicadas pelo aumento das tarifas americanas. Segundo a pasta, até o início de novembro foram realizadas 517 operações de crédito, somando R$ 7,1 bilhões em apoio financeiro.