A queda de desempenho do governador Jerônimo Rodrigues (PT) nas avaliações internas acendeu um alerta sério não só na cúpula do PT baiano, mas também em Brasília. O crescimento consistente de ACM Neto (União Brasil), tratado por aliados como favorito numa disputa considerada cada vez mais encaminhada, mexeu com a base governista e reacendeu, segundo interlocutores, movimentações do ministro da Casa Civil, Rui Costa, em meio ao enfraquecimento político do atual governador.
Nos bastidores, lideranças do partido admitem preocupação com um possível revés justamente na Bahia, um dos pilares eleitorais históricos do PT. O cenário é acompanhado de perto pelo presidente Lula, que vê risco de fissuras num grupo político que domina o estado há quase vinte anos.
Rui Costa volta a ser citado como alternativa
Com Jerônimo enfrentando dificuldades e perdendo fôlego nas pesquisas internas, o nome de Rui Costa voltou a circular como opção caso o partido precise reorganizar o tabuleiro. Publicamente, contudo, o ministro mantém o discurso de alinhamento total ao atual governador.
“Eu não serei candidato a governador. O candidato a governador é Jerônimo Rodrigues, isso eu posso afirmar hoje. Agora, se eu serei candidato a alguma coisa ou não, isso será definido no início do ano que vem, em diálogo com o presidente”, declarou.
Apesar da tentativa de esfriar rumores, Rui não esconde o desejo de seguir em posição de destaque na política baiana. Ele já admitiu considerar uma disputa ao Senado em 2026, decisão que afirma depender da orientação de Lula.
Base tenta evitar novos desgastes
O clima ficou ainda mais pesado na última semana, depois que o deputado Nelson Leal (PP), ex-presidente da Assembleia Legislativa, anunciou apoio a ACM Neto e confirmou que coordenará a campanha do ex-prefeito de Salvador, abrindo mão da própria reeleição. O movimento foi lido como um sinal de esvaziamento e gerou apreensão no PT.
A avaliação interna é de que o desgaste de Jerônimo pode repercutir além das fronteiras baianas e criar dificuldades para o projeto eleitoral petista no Nordeste, região considerada estratégica para Lula.
Enquanto Rui Costa amplia sua influência no governo federal, Jerônimo tenta reorganizar a base, ajustar a comunicação e retomar espaço junto ao eleitorado, algo que hoje integrantes do partido admitem ser um desafio cada vez maior.
No PT, o discurso oficial é de união e defesa da continuidade. Mas, conforme os indicadores pioram, cresce a percepção de que a sigla pode ser obrigada a tomar decisões que, meses atrás, seriam descartadas sem hesitação.