Uma recente pesquisa encomendada pelo Movimento Pessoas à Frente em parceria com a República.org aponta que cerca de 53,5 mil servidores públicos no Brasil receberam remunerações acima do teto legal entre agosto de 2024 e julho de 2025.
O levantamento revela que os pagamentos excedentes ao limite constitucional, hoje fixado em R$ 46.366,19 mensais somaram aproximadamente R$ 20 bilhões no período analisado, o que coloca o Brasil na liderança de gastos com “supersalários” em comparação com dez outras nações da Europa e das Américas.
Quem concentra os supersalários
A maior parte desse montante está concentrada em três carreiras:
- A magistratura (juízes e desembargadores), com cerca de 21 mil beneficiados responsável pela fatia mais expressiva dos pagamentos extras.
- O Poder Executivo Federal, que reúne cerca de 12 mil servidores e corresponde a R$ 4,33 bilhões dos valores além do teto mais de 80% desses casos concentram-se em carreiras ligadas à Advocacia-Geral da União (AGU) e procuradorias federais.
- O Ministério Público, com aproximadamente 10 mil integrantes recebendo acima do limite.
Perfil dos beneficiados e comparação internacional
Segundo a análise, os 53,5 mil servidores que ultrapassaram o teto representam cerca de 1,34% de uma amostra de quatro milhões de servidores públicos ativos e inativos.
Parte significativa desse grupo também integra o que se considera o “1% mais rico” da população brasileira: quase 40 mil servidores obtiveram renda anual superior a R$ 685 mil.
E a distorção salarial do Brasil é ainda mais nítida diante da comparação internacional. No ranking do estudo, a segunda colocada Argentina que registrou cerca de 27 mil casos de pagamentos acima do limite equivalente, bem menos do que a quantia brasileira; os Estados Unidos apareceram em seguida, com pouco mais de 4 mil casos; já países como Alemanha, França, Reino Unido, Itália, México, Portugal, Chile e Colômbia registraram, em sua totalidade, menos de 2 mil pessoas com supersalários, e a Alemanha não apresentou nenhum caso.
Reflexos para o Estado e para a sociedade
Para os autores da pesquisa, o volume de recursos destinado a pagamentos que ultrapassam o teto legal representado pelos supersalários compromete a capacidade de investimentos do Estado em áreas essenciais. O acúmulo de privilégios também amplia a desigualdade salarial dentro do serviço público e gera descontentamento social.
Os dados evidenciam um problema estrutural de desproporção e injustiça: uma pequena parcela de servidores recebe valores extremamente elevados, enquanto a maioria dos funcionários públicos continua com remunerações modestas escancarando um fosso interno de renda e privilégios no Estado.