A cena de pacientes deitado no chão na UPA do Hospital Cleriston Andrade, em Feira de Santana, não é um caso isolado. É o retrato fiel de um sistema que falhou e de um governo que insiste em tratar o sofrimento da população como estatística. Até quando o povo vai suportar esse descaso?

Enquanto o discurso oficial fala em investimentos e avanços, a realidade mostra superlotação, falta de estrutura, profissionais sobrecarregados e pacientes humilhados. Quem adoece não encontra dignidade. Quem acompanha um familiar sente revolta e impotência. Quem trabalha na linha de frente paga o preço de uma gestão ineficiente.

O mais grave é que esse colapso acontece em paralelo ao avanço da violência, que também segue fora de controle. O cidadão baiano vive cercado pelo medo: medo de sair de casa e medo de precisar do sistema de saúde. É uma dupla punição. O Estado falha em garantir segurança e falha, novamente, em garantir atendimento médico minimamente humano.

Não se trata de falta de alerta. Há anos os mesmos problemas se repetem, as mesmas denúncias surgem, e as mesmas promessas são feitas. O governo parece agir apenas quando a crise vira manchete, e  ainda assim, de forma paliativa. Saúde pública não pode ser tratada como favor, nem como propaganda institucional. É obrigação constitucional.

O paciente jogado em uma maca, esperando horas ou dias por atendimento, não é número. É gente. É pai, mãe, trabalhador, idoso. Ignorar isso é naturalizar o sofrimento e aceitar que o povo da Bahia viva menos e pior.

A pergunta que fica não é apenas “até quando?”, mas por que o governo aceita que seja assim?

Porque quem sente na pele não está nos gabinetes refrigerados, nem nos palanques de discurso fácil. Se nada mudar, a conta continuará sendo paga por quem menos pode, e a dignidade continuará sendo a primeira vítima desse abandono.

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