A empresária e influenciadora digital Paula Cristina de Souza Leite, conhecida nacionalmente como Paulinha Leite, ex-participante do Big Brother Brasil 2011, tornou-se alvo de uma disputa judicial movida pela Caixa Econômica Federal envolvendo a atuação de sua empresa de bolões lotéricos, a Unindo Sonhos.
Natural de Boa Vista, em Roraima, Paulinha fundou a empresa em 2012 e ganhou projeção nos últimos anos ao divulgar, nas redes sociais, uma sequência de prêmios conquistados em apostas lotéricas. Segundo a própria empresária, ela já teria sido premiada mais de 70 vezes, incluindo um ganho de aproximadamente R$ 1,5 milhão na Mega da Virada 2024/2025. Atualmente, Paulinha reúne mais de 1,5 milhão de seguidores no Instagram, enquanto o perfil da Unindo Sonhos ultrapassa 730 mil seguidores.
De acordo com informações divulgadas pela empresa, mais de R$ 32 milhões já teriam sido repassados aos participantes dos bolões organizados pela plataforma ao longo de quatro anos de atuação. Os valores para participação variam, começando em cerca de R$ 5, podendo ultrapassar R$ 2,5 mil, a depender do tipo de aposta e do concurso.
Reclamações e questionamentos
Apesar do alcance e do volume financeiro, a Unindo Sonhos também acumula críticas. No site Reclame Aqui, há mais de 450 reclamações, muitas delas relacionadas a pedidos de estorno, dificuldades para sacar valores supostamente ganhos e insatisfação de usuários que afirmam nunca terem sido contemplados nos bolões.
Ação da Caixa e embate jurídico
A Caixa Econômica Federal ingressou com ação judicial para impedir que a empresa continue intermediando apostas, sustentando que a legislação brasileira garante ao banco exclusividade na exploração dos serviços lotéricos. A instituição também afirma que houve uso indevido de suas marcas e obtenção de lucro sem autorização legal.
Em resposta, a defesa de Paulinha Leite nega qualquer irregularidade. Alega que a Unindo Sonhos não realiza sorteios, mas apenas organiza bolões entre pessoas físicas, funcionando como intermediadora. A empresa sustenta ainda que as apostas são registradas em lotéricas oficiais, o que, segundo a defesa, não caracterizaria exploração direta de serviço público.
Em agosto, a Justiça Federal em Roraima chegou a determinar a suspensão das atividades e a retirada de conteúdos da empresa da internet. No entanto, o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), suspendeu a decisão até o julgamento do mérito do processo. Com isso, a plataforma segue ativa, inclusive para concursos de grande porte como a Mega da Virada, Quina, Lotofácil, Lotomania e +Milionária.
Debate maior no setor
O caso de Paulinha Leite não é isolado. A Caixa mantém disputas semelhantes com outras plataformas de intermediação. Há divergências inclusive dentro do próprio governo federal. A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda já se posicionou no sentido de que essas empresas não administram loterias, mas apenas intermedeiam apostas entre os jogadores e a Caixa.
Paralelamente, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu investigação para apurar possíveis práticas anticoncorrenciais. O órgão reconheceu, em análises preliminares, que a intermediação pode ser considerada uma atividade lícita, distinta da administração direta das loterias, que permanece sob responsabilidade do banco público.
Enquanto o mérito não é julgado, a disputa segue aberta e reacende o debate sobre os limites legais da atuação de empresas privadas no mercado de apostas oficiais no Brasil.