A morte de um idoso de 68 anos, registrada na véspera do Natal em João Pinheiro, no Noroeste de Minas Gerais, gerou questionamentos da família sobre a conduta médica adotada durante a internação no Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares. Parentes de Manoel Cardoso de Brito afirmam que um instrumento cirúrgico teria sido deixado dentro do corpo do paciente após um procedimento de urgência, situação que só teria sido identificada depois do falecimento.

Segundo o registro policial, Manoel passou mal em casa no início de dezembro e foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município. Após exames, a equipe médica indicou a necessidade de uma cirurgia imediata, realizada no dia seguinte à entrada no hospital. À família, os profissionais informaram que o procedimento havia ocorrido sem intercorrências e que o diagnóstico apontava uma úlcera gástrica.

Após a cirurgia, o paciente permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por dois dias e, em seguida, foi transferido para um quarto. Durante esse período, a cuidadora contratada relatou episódios frequentes de dor intensa e sonolência excessiva, o que gerou preocupação entre os familiares.

Dias depois, diante da suspeita de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), foi realizada uma tomografia. Pouco tempo após o exame, Manoel foi encaminhado às pressas para uma nova cirurgia. De acordo com os parentes, eles não teriam sido informados previamente sobre o motivo da reabordagem cirúrgica.

Após o segundo procedimento, a equipe médica informou que havia retirado secreção purulenta e um dreno da cavidade abdominal. O idoso retornou à UTI, mas não resistiu e morreu após cerca de 13 dias de internação. Conforme a família, somente após o óbito eles tiveram conhecimento de um exame que indicaria a presença de um corpo estranho no organismo do paciente, levantando a suspeita de erro médico.

O advogado da família, Iuri Evangelista Furtado, afirma que as providências legais começaram a ser adotadas depois que uma tomografia, divulgada por uma emissora de rádio local, chegou ao conhecimento dos parentes. A imagem, segundo ele, sugeriria a presença de um instrumento cirúrgico no interior do corpo de Manoel. A defesa acompanha a investigação da Polícia Civil e informou que irá solicitar todos os prontuários, exames, laudos e registros administrativos relacionados ao atendimento prestado pelo hospital.

Posicionamento da Prefeitura

Em nota oficial, a Prefeitura de João Pinheiro informou que o paciente deu entrada no hospital em estado clínico grave, com vômitos e sangramento, além de apresentar sequelas neurológicas importantes e rebaixamento do nível de consciência. De acordo com o município, ainda durante a internação foi identificado um corpo estranho na cavidade abdominal, o que motivou a realização de uma nova cirurgia, previamente comunicada à acompanhante.

A administração municipal destacou que, no segundo procedimento, não foi constatada perfuração intestinal e que as suturas da cirurgia anterior estavam preservadas. A prefeitura ressaltou ainda que Manoel possuía um quadro de saúde considerado extremamente delicado, com histórico de cardiopatia, diabetes, arritmia cardíaca e sequelas graves de AVC, fatores que, segundo o município, contribuíram para a evolução negativa do caso.

Por fim, a gestão informou que notificou o ocorrido como evento adverso, comunicou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), instaurou sindicância interna e reforçou os protocolos de segurança do paciente. A prefeitura também declarou solidariedade à família e afirmou que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

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