Venezuela anunciou nesta terça-feira (13) que mais de 400 pessoas foram libertadas de prisões do país em um movimento que o governo chama de gesto de paz e reconciliação nacional. A declaração foi feita por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, em meio a grande controvérsia sobre a real dimensão das solturas.
Segundo Rodríguez, parte significativa dessas libertações ocorreu ao longo dos últimos meses, incluindo, de acordo com o seu balanço, 160 saídas de presídios desde dezembro de 2024. O parlamentar afirmou que a iniciativa não se refere a “presos políticos”, mas a pessoas condenadas por crimes contra a ordem legal e constitucional, incluindo incitação à violência e à intervenção militar estrangeira.
O anúncio ganha destaque em meio ao cenário político tenso que se instalou no país desde a recente captura do ex-presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, episódio que agravou ainda mais a crise institucional venezuelana.
Oposição diz que números oficiais não batem com realidade
Representantes da oposição, liderados pela premiada ativista e integrante da Plataforma Unitária Democrática María Corina Machado, rejeitaram as cifras divulgadas pelo governo e exigiram a divulgação pública dos nomes e datas de soltura para permitir a verificação dos casos.
Segundo dados compilados por organizações independentes que acompanham detenções políticas no país, o número de libertações confirmadas fica muito abaixo dos 400 anunciados. A ONG Foro Penal indica que, até o momento, entre 56 e 76 pessoas foram efetivamente libertadas, enquanto a autoridade penitenciária venezuelana cita oficialmente 116 solturas realizadas recentemente.
Deputados oposicionistas também questionam a lógica de incluir no total pessoas que teriam sido libertadas ainda em dezembro de 2024 ou que não estavam qualificadas como presos políticos. “Precisamos de transparência. Há um abismo entre os números oficiais e o que conseguimos verificar”, afirmou um dos líderes oposicionistas à imprensa local.
Críticas sobre transparência e situação das prisões
Além da divergência nos números, grupos civis e entidades em defesa dos direitos humanos têm denunciado a falta de informações claras e o lento ritmo das solturas. Algumas famílias de detentos continuam acampadas à porta de unidades prisionais aguardando notícias.
Organizações independentes estimam que existem cerca de 800 presos políticos no país, muitos deles detidos após as controvérsias em torno das eleições de 2024 e as subsequentes manifestações contrárias ao governo.
Enquanto isso, o governo insiste que a sua ação busca promover “convivência pacífica” e reforçar a estabilidade interna. Rodríguez prometeu, ainda, que mais solturas poderão acontecer como parte desse processo, mesmo sem a demanda explícita de grupos oposicionistas.
Libertados e repercussão internacional
Entre alguns daqueles já soltos figura o ex-candidato presidencial Enrique Márquez, que se encontrava preso acusado de tentativa de golpe de Estado no contexto das disputas pós-eleitorais.
A liberação de detentos políticos é uma das pautas prioritárias da oposição e de governos estrangeiros que acompanham a crise venezuelana. Autoridades dos Estados Unidos, por exemplo, saudaram a libertação de alguns cidadãos americanos detidos no país, apesar das divergências sobre o número total de libertados.