O ex-ministro Raul Jungmann morreu neste domingo (18), em Brasília. A informação foi confirmada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), entidade que ele presidia desde 2022. A pedido do próprio Jungmann, o velório será restrito a familiares e amigos próximos.
Com uma trajetória marcada por mais de cinco décadas de atuação na vida pública, Raul Belens Jungmann Pinto teve papel de destaque em diferentes governos e áreas estratégicas do país. Ao longo da carreira, ocupou cinco vezes o cargo de ministro de Estado. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, comandou os ministérios do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias. Já na gestão de Michel Temer, esteve à frente do Ministério da Defesa e, em 2018, tornou-se o primeiro ministro da recém-criada pasta da Segurança Pública.
No período em que atuou na área de segurança, Jungmann coordenou operações baseadas em decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que permitiram o emprego das Forças Armadas em estados atingidos por graves crises na segurança pública.
Natural de Pernambuco, Jungmann iniciou sua militância política ainda jovem, no antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ao longo dos anos, passou por diferentes legendas, entre elas MDB, PPS e PMDB, refletindo uma trajetória marcada por mudanças no cenário político nacional.
A projeção alcançada no Executivo impulsionou sua eleição como deputado federal por Pernambuco em 2002. Foi reeleito em 2006 e, posteriormente, disputou uma vaga no Senado, sem sucesso. Em 2012, voltou a ocupar cargo eletivo ao ser eleito vereador do Recife. Em 2014, ficou na suplência para a Câmara dos Deputados.
No Legislativo, destacou-se como vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, que investigou um esquema de corrupção na compra de ambulâncias, e como um dos líderes da Frente Brasil Sem Armas, durante o referendo de 2005 sobre o comércio de armas de fogo. Na legislatura iniciada em 2015, exerceu mandato de deputado federal até 2016 e, na oposição ao governo Dilma Rousseff, defendeu o impeachment da então presidente.
Jungmann chegou a ser investigado por suspeitas de irregularidades em contratos firmados durante sua passagem pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, envolvendo cerca de R$ 33 milhões. O inquérito, no entanto, foi posteriormente arquivado pela Justiça Federal.
Em nota oficial, o IBRAM destacou o legado de Jungmann à frente da instituição e sua atuação em defesa de uma mineração mais responsável, alinhada aos princípios ambientais, sociais e de governança (ESG). A entidade ressaltou ainda sua capacidade de diálogo, visão estratégica e compromisso com a democracia e o interesse público.
“Raul Jungmann será lembrado por sua integridade, espírito republicano e pela contribuição decisiva ao fortalecimento institucional do IBRAM e da mineração brasileira”, afirmou a presidente do Conselho Diretor do Instituto, Ana Sanches.
A morte de Raul Jungmann encerra um capítulo relevante da política brasileira contemporânea, marcado por atuação em diferentes frentes do Estado e por participação direta em momentos decisivos da história recente do país.