O PSDB baiano trabalha para romper uma barreira que se mantém há anos: ampliar sua representação na Câmara dos Deputados. Atualmente com apenas um parlamentar federal, o partido busca viabilizar um segundo nome competitivo para Brasília nas eleições de 2026, movimento que passa diretamente por Feira de Santana e pelas articulações do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil).

Nos bastidores, ganha força a possibilidade de o tucanato contar com apoio indireto de Neto para impulsionar uma candidatura ligada à “Princesinha do Sertão”. O cenário se desenha em meio a ruídos na relação política entre ACM Neto e o prefeito de Feira, José Ronaldo (União), o que adiciona complexidade à equação eleitoral no segundo maior colégio eleitoral da Bahia.

Nesse contexto, surge com protagonismo o vice-prefeito de Feira de Santana, Pablo Roberto (PSDB). Atual secretário municipal de Educação, ele é apontado como um dos principais quadros do partido para disputar uma vaga na Câmara Federal. A eventual entrada de Pablo na corrida nacional também serviria para garantir palanque estruturado para ACM Neto no município, estratégico para a disputa ao governo do estado.

Capital eleitoral já testada

Pablo Roberto chega ao debate com números que reforçam sua viabilidade. Na eleição de 2022, quando concorreu a deputado estadual, obteve mais de 42 mil votos apenas em Feira de Santana, consolidando sua base local. No total, somou cerca de 55 mil votos, resultado suficiente para garantir mandato na Assembleia Legislativa da Bahia.

Caso confirme a candidatura a deputado federal, o tucano deverá enfrentar diretamente o deputado Zé Neto (PT), atualmente o único representante de Feira na Câmara dos Deputados e nome historicamente forte na cidade.

Movimentação política ganha ritmo em 2026

Durante a Lavagem do Bonfim, realizada na última quinta-feira (15), Pablo Roberto confirmou que as articulações eleitorais começam a ganhar corpo neste ano. Segundo ele, 2025 foi dedicado integralmente à gestão municipal, seguindo orientação do prefeito José Ronaldo, diante dos desafios administrativos enfrentados pelo município.

A partir de agora, no entanto, o foco passa a ser outro. Pablo afirmou que pretende permanecer à frente da Secretaria de Educação até o prazo legal e, posteriormente, se afastar para se dedicar exclusivamente à campanha, caso a candidatura seja confirmada.

Relação entre Neto e Zé Ronaldo

Apesar das especulações sobre um possível distanciamento político entre ACM Neto e José Ronaldo, Pablo minimizou qualquer tensão. Segundo ele, o prefeito de Feira enfrentou um dos períodos mais difíceis de sua trajetória administrativa no último ano, o que teria concentrado suas atenções na gestão.

De acordo com o vice-prefeito, as conversas entre Neto e Zé Ronaldo seguem ocorrendo e o ambiente político estaria “tranquilo”, ainda que cada um mantenha seu estilo próprio de atuação.

Disputa interna no PSDB e dilema partidário

Além de Pablo Roberto, outro nome que aparece no radar do PSDB para a chamada “segunda cadeira” é Carlos Muniz Filho, ligado ao presidente da Câmara Municipal de Salvador, Carlos Muniz. A concorrência interna evidencia o esforço do partido para ampliar sua presença em Brasília.

Nos bastidores, também circulam especulações sobre uma eventual mudança partidária de Pablo Roberto, com possibilidade de migração para o União Brasil. A hipótese, no entanto, é tratada com cautela. Aliados avaliam que a permanência no PSDB oferece hoje melhor equilíbrio eleitoral, além de evitar um confronto direto com Zé Chico, nome forte do União em Feira e ligado diretamente ao grupo do prefeito José Ronaldo.

Zé Chico, além de ex-candidato apoiado pelo prefeito, preside o União Brasil no município e é visto como prioridade interna da legenda, o que reduziria o espaço para novas lideranças no curto prazo.

Feira segue como peça-chave

O cenário deixa claro que Feira de Santana continuará no centro das articulações políticas da oposição na Bahia. Mais do que uma disputa por vagas legislativas, o jogo envolve alianças, palanques regionais e a construção de força para a eleição estadual de 2026, onde cada movimento agora pode definir o equilíbrio de amanhã.

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