O Brasil voltou a registrar um número recorde de feminicídios em 2025, mesmo antes do fechamento completo das estatísticas do ano. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) indicam que 1.470 mulheres foram mortas em crimes enquadrados como feminicídio, o que representa, em média, quatro mortes por dia. O total já supera o registrado em 2024, quando o país contabilizou 1.464 casos.
O levantamento ainda não incorpora ocorrências registradas em dezembro em estados como Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo, este último, tradicionalmente, lidera os números nacionais. As informações foram divulgadas por veículos da imprensa nacional e confirmadas por fontes oficiais do governo federal.
Casos extremos expõem violência recorrente
Além da escalada nos números, episódios marcados por extrema violência reforçam a gravidade do cenário. Um caso investigado em São Paulo ganhou repercussão nacional após uma mulher de 31 anos morrer depois de ser atingida por um carro e arrastada por uma longa distância na zona norte da capital, dias antes do Natal. A Polícia Civil apura o envolvimento de um ex-companheiro da vítima. A defesa do suspeito afirma que ele se apresentou espontaneamente, mas nega a dinâmica apontada pela investigação.
Mais de 13 mil vítimas desde a criação da lei
Desde 2015, quando o feminicídio passou a ser tipificado como crime específico no Brasil, o país já contabiliza 13.448 mortes de mulheres em razão de gênero, segundo dados do MJSP. No acumulado desse período, São Paulo aparece com o maior número de registros (1.774), seguido por Minas Gerais (1.641) e Rio Grande do Sul (1.019).
Ao analisar apenas o ano passado, São Paulo manteve a liderança, com 233 ocorrências. Minas Gerais registrou 139 casos, enquanto o Rio de Janeiro ficou em terceiro lugar, com 104 feminicídios.
Bahia ainda não foram detalhados no levantamento nacional mais recente, mas autoridades de segurança pública reconhecem que o estado segue entre os que mais demandam atenção e políticas de enfrentamento.
Especialistas e autoridades da área de segurança avaliam que os números evidenciam falhas persistentes na prevenção e no combate à violência contra a mulher. O cenário reforça a cobrança por políticas públicas mais efetivas, ampliação das medidas protetivas e atuação mais integrada entre polícia, Justiça e rede de assistência social.