O assassinato de um cidadão norte-americano em Salvador, na noite de terça-feira (20), no bairro de Brotas, revela de forma brutal o esgotamento da política de segurança pública conduzida pelo governo da Bahia. O crime, ocorrido em uma área urbana e movimentada da capital, não pode ser tratado como um episódio isolado, mas como reflexo de um cenário que saiu do controle do Estado.

A vítima, Abissa Kobenan Nkettia, de 57 anos, natural de Iowa, nos Estados Unidos, foi morta a tiros durante uma ação criminosa que tem indícios de tentativa de assalto. Câmeras de segurança flagraram toda a sequência do ataque: a abordagem, a luta corporal, a queda da vítima e os disparos. Ainda assim, até agora, nenhum suspeito foi preso.

O caso chama atenção não apenas pela violência, mas pelo simbolismo. Um estrangeiro é executado em via pública, diante de registros em vídeo, em uma capital que figura repetidamente entre as mais violentas do país. O episódio amplia o constrangimento institucional da Bahia e projeta, para fora do Brasil, a imagem de um estado onde a criminalidade dita as regras.

É preciso separar responsabilidades. A polícia atua na ponta, reagindo a um sistema que falha antes do crime acontecer. O problema central está na condução política da segurança pública, na ausência de estratégias eficazes, no enfraquecimento da prevenção e na incapacidade do governo estadual de conter facções, assaltos e homicídios que avançam tanto nas periferias quanto em áreas centrais.

A Polícia Militar foi acionada por populares e encontrou a vítima ferida no tórax. O Samu chegou a ser chamado, mas Abissa não resistiu. O que falta não é resposta emergencial, o que falta é controle, planejamento e liderança.

Enquanto o governo da Bahia insiste em discursos otimistas, os números da violência e os casos concretos mostram outra realidade: cidadãos mortos, crimes filmados e criminosos em fuga. A população vive refém do medo, comerciantes fecham mais cedo e o turismo sente os impactos de uma insegurança que já ultrapassou fronteiras.

A morte do norte-americano é mais um alerta ignorado. Sem mudanças reais na política de segurança, sem investimento estratégico e sem comando firme do Palácio de Ondina, a Bahia continuará acumulando tragédias e perdendo o controle da própria segurança.

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