A decisão da Justiça de conceder liberdade mediante fiança a um motorista flagrado com sinais de embriaguez após um acidente que matou uma criança de apenas 8 anos, em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, escancarou mais uma vez a sensação de impunidade que cerca crimes de trânsito no Brasil.

O condutor, que não teve o nome divulgado, deixou a prisão na noite de quinta-feira (22) após o pagamento de uma fiança de R$ 81 mil, valor equivalente a 50 salários mínimos, quitado por familiares. A soltura ocorreu após audiência de custódia, menos de 24 horas depois do acidente que tirou a vida de Ingrid Gabriele da Silva Duarte.

Enquanto o motorista voltou para casa, a família da vítima segue vivendo um drama. A mãe e a irmã de Ingrid ficaram gravemente feridas. A criança de 5 anos passou por duas cirurgias e permanece internada no Hospital do Oeste. Já a mãe segue em estado grave, internada na UTI. O pai, Luciano da Silva, enfrenta o luto e a angústia de não saber se a esposa e a outra filha irão se recuperar.

Um crime tratado como infração comum

O acidente aconteceu na noite de quarta-feira (21), na Avenida Eduardo Campos. Ingrid, a mãe e a irmã estavam em uma motocicleta quando foram atingidas por uma caminhonete. Testemunhas relataram que o veículo bateu violentamente na traseira da moto.

De acordo com a Superintendência de Transportes e Trânsito (Sutrans), o motorista apresentava sinais claros de embriaguez, conduzia o veículo em alta velocidade e ainda se recusou a realizar o teste do bafômetro, conduta que na prática, virou estratégia recorrente para tentar escapar de consequências mais severas.

Mesmo diante desse conjunto de fatores, o caso terminou, por ora, com a liberação do suspeito mediante pagamento. Para muitos, a mensagem é clara e perturbadora: matar no trânsito, mesmo sob suspeita de álcool ao volante, pode custar apenas dinheiro.

Até quando?

A pergunta que fica é incômoda, mas necessária: quantas vidas ainda precisarão ser perdidas para que crimes de trânsito sejam tratados com o rigor que merecem? A legislação existe, as campanhas educativas se repetem todos os anos, mas decisões como essa reforçam a percepção de que, no Brasil, a punição ainda pesa mais no bolso do que na consciência.

Enquanto isso, uma família foi destruída, uma criança teve a vida interrompida e a sociedade segue assistindo, indignada, a mais um capítulo onde a Justiça parece caminhar em descompasso com a gravidade dos fatos.

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