A liquidação do Banco Master, apontada como uma das maiores crises bancárias recentes no país, continua gerando forte repercussão no mercado financeiro. O episódio ganhou ainda mais dimensão após atingir o Will Bank, instituição digital controlada pelo grupo, e passou a levantar alertas sobre a segurança dos recursos aplicados em bancos de menor porte.

Além do alto volume financeiro envolvido, o caso chama atenção por pressões políticas e pela citação de autoridades de peso, inclusive ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O impacto imediato, segundo especialistas, é a deterioração da confiança dos clientes, especialmente daqueles que utilizam bancos digitais como principal ou única opção financeira.

Para o economista Paulo Feldmann, professor da USP e da FIA Business School, a liquidação do Will Bank não afeta apenas os correntistas diretamente envolvidos, mas todo o sistema bancário. Na avaliação dele, o episódio tende a provocar uma corrida dos usuários para instituições mais tradicionais e consolidadas no Brasil.

“É natural que as pessoas busquem segurança. Bancos como Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil, Caixa Econômica, além de instituições como Safra e BTG, devem ser os principais beneficiados”, analisa Feldmann. Segundo o economista, a consequência direta desse movimento é o aumento da concentração bancária no país, com perdas significativas para bancos menores e digitais.

Outro ponto que preocupa é o perfil dos clientes do Will Bank. De acordo com Feldmann, a base de usuários é formada majoritariamente por pessoas de menor renda, concentradas nas classes D e E. “Muitos clientes colocaram toda a poupança ali. Em vários casos, eram recursos guardados para a aposentadoria. Com a liquidação, o processo de recuperação desses valores se torna lento e incerto”, alerta.

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) assegura a devolução de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, cobrindo aplicações como conta corrente, poupança, CDBs e letras de crédito imobiliário e do agronegócio. No entanto, valores que ultrapassam esse limite não têm garantia, o que amplia a insegurança entre os investidores.

Para ter acesso ao ressarcimento, os clientes precisam realizar cadastro no aplicativo oficial do FGC e formalizar a solicitação. Ainda assim, o processo não é imediato e pode se arrastar por meses.

Com cerca de 12 milhões de clientes, o Will Bank integra o conglomerado do Banco Master. A estimativa é de que aproximadamente R$ 6,3 bilhões sejam destinados ao pagamento de depositantes e investidores que se enquadram nas regras do FGC.

O caso reacende o debate sobre a solidez dos bancos digitais, a fiscalização do sistema financeiro e a necessidade de maior educação financeira para a população, sobretudo entre os mais vulneráveis.

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