Os candidatos que pretendem tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) já começam a enfrentar um novo modelo de avaliação. A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) divulgou o Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, documento que padroniza as provas práticas em todo o Brasil e altera critérios que vinham sendo adotados de forma diferente pelos Detrans de cada estado.
A proposta é tornar o exame mais próximo das situações reais do dia a dia no trânsito, deixando de lado etapas consideradas artificiais ou excessivamente rígidas.
De acordo com a Senatran, a padronização busca dar mais justiça ao processo de avaliação, reduzir diferenças regionais e aumentar a confiança no sistema de habilitação. A orientação é que o candidato seja avaliado pela forma como dirige em condições reais de circulação, e não apenas pela repetição de manobras técnicas isoladas.
Pontuação substitui faltas eliminatórias
Uma das mudanças mais significativas é o fim das chamadas faltas eliminatórias automáticas.
Agora, o candidato começa a prova com zero ponto e vai somando penalidades conforme comete infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Para ser aprovado, a pontuação final não pode ultrapassar dez pontos.
A contagem segue a classificação já conhecida:
- leve: 1 ponto
- média: 2 pontos
- grave: 4 pontos
- gravíssima: 6 pontos
Com isso, situações que antes levavam à reprovação imediata, como deixar o carro “morrer”, deixam de ser determinantes, já que não são consideradas infrações de trânsito.
Baliza deixa de ser etapa decisiva
Outra alteração importante envolve a baliza. A manobra deixa de ser uma fase eliminatória independente e passa a integrar o percurso normal do exame, como ocorre na rotina de qualquer motorista.
Segundo a secretaria, o modelo antigo exagerava no peso dessa etapa, tratando pequenos erros de estacionamento com a mesma gravidade de condutas que realmente oferecem risco à segurança viária.
Para o secretário nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, a mudança não facilita a prova, apenas a torna mais realista.
A ideia é avaliar a capacidade do candidato de conduzir o veículo com segurança nas ruas, interagir com pedestres, interpretar sinalizações e tomar decisões corretas — habilidades que realmente fazem diferença no trânsito.
Menos exigências para iniciar o processo
O novo manual chega acompanhado de outras transformações recentes no processo de habilitação.
Entre elas:
- fim da obrigatoriedade de contratar autoescola
- curso teórico gratuito, com conteúdo digital oferecido pelo governo
- redução da carga mínima de aulas práticas, de 20 para duas horas obrigatórias
Mesmo assim, o candidato continua precisando ser aprovado nas provas teórica e prática.
O que continua valendo
Alguns pontos permanecem obrigatórios:
✔ O estacionamento faz parte do exame, ao final do trajeto
✔ Todos os Detrans devem seguir as regras nacionais
✔ Veículos automáticos podem ser usados na prova, desde que regularizados
Caso algum Detran descumpra as normas, o CTB prevê medidas administrativas, sindicâncias e até intervenção do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Foco na direção segura
Com as mudanças, o governo tenta mudar a lógica da avaliação. Em vez de testar apenas técnicas decoradas, a prova passa a medir comportamento, responsabilidade e capacidade de lidar com situações reais das vias públicas.
Na prática, o recado é simples: mais direção consciente, menos formalidades mecânicas.