Uma cena inusitada marcou a nova etapa de uma operação da Polícia Federal em Santa Catarina: uma mala recheada de dinheiro foi lançada pela janela de um apartamento em Balneário Camboriú no momento em que agentes chegavam ao imóvel. O material, segundo os investigadores, tem ligação com o ex-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, que já está preso.

A ação faz parte da terceira fase da Operação Barco de Papel, deflagrada nesta quarta-feira (11), e tem como foco rastrear patrimônio, recuperar valores e identificar tentativas de esconder bens que possam ter sido desviados ou ocultados após o início das apurações.

De acordo com a PF, ao perceber a presença dos policiais, um dos ocupantes do apartamento tentou se desfazer da mala cheia de cédulas, atirando-a pela janela. O montante ainda está sendo contado.

Durante as buscas, também foram apreendidos dois carros de alto padrão e aparelhos celulares, que passarão por perícia técnica. A Justiça Federal autorizou os mandados com base em indícios de que pessoas próximas ao ex-dirigente estariam retirando documentos, transferindo bens e reorganizando o patrimônio para dificultar o trabalho da investigação.

Investimentos sob suspeita

Deivis Marcon Antunes é apontado como responsável por decisões financeiras consideradas arriscadas à frente da Rioprevidência, o fundo que administra a aposentadoria de servidores do estado do Rio de Janeiro. A investigação indica que, entre o fim de 2023 e meados de 2024, aproximadamente R$ 970 milhões teriam sido aplicados em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição que acabou liquidada pelo Banco Central.

Para os investigadores, as operações não teriam seguido critérios técnicos compatíveis com o perfil conservador esperado de um fundo previdenciário, o que pode ter colocado recursos públicos em risco elevado.

Além das decisões de investimento, a Polícia Federal sustenta que o ex-gestor também tentou atrapalhar a apuração, com suspeitas de eliminação de dados, retirada de documentos e ocultação de patrimônio.

O material recolhido nas diligências será analisado para identificar eventuais cúmplices e verificar se houve pagamento de vantagens indevidas em troca da liberação das aplicações financeiras.

Deivis permanece detido e à disposição da Justiça.

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