O que era para ser apenas festa, música e multidão virou motivo de queixa constante nos circuitos do Carnaval de Salvador deste ano. Artistas, blocos e foliões têm relatado atrasos sucessivos, trios parados por longos períodos e verdadeiros “engarrafamentos” humanos ao longo do percurso, situações que prejudicam o andamento dos desfiles e aumentam o desconforto nas ruas.
As reclamações vieram de nomes de peso, como Anitta, Bell Marques, do bloco afro Olodum e do tradicional Afoxé Filhos de Gandhy, que apontam dificuldades para avançar no meio da multidão e problemas de organização no intervalo entre as atrações.
Hoje, dois trajetos concentram a maior parte da folia. No Circuito Osmar, os trios cruzam o Campo Grande em direção à Praça Castro Alves. Já no Circuito Dodô, considerado o mais disputado, o percurso vai do Farol da Barra até o monumento As Meninas do Brasil, trecho que pode levar cerca de cinco horas para ser completado, dependendo do fluxo.
Trio parado e público espremido
Na sexta-feira, Anitta precisou interromper o show para explicar ao público por que o trio não saía do lugar. Segundo a artista, outro carro de som à frente bloqueava a passagem, o que impedia qualquer avanço sem gerar ainda mais aperto entre foliões da pipoca e associados de blocos fechados.
Depois do desfile, ela defendeu um espaçamento maior entre as saídas como forma de melhorar a mobilidade e reduzir riscos. A avaliação é simples: com menos trios colados uns nos outros, o deslocamento ficaria mais fluido.
Pane mecânica e efeito dominó
No domingo, Bell Marques também enfrentou retenção. O cantor relatou que o bloco Camaleão ficou parado além do previsto por causa de dificuldades no veículo do Olodum, que vinha logo à frente.
Em nota, o grupo explicou que identificou pneus esvaziados em um carro de apoio na largada e precisou resolver o problema antes de seguir. Além disso, a apresentação teria sido temporariamente interrompida por orientação da Polícia Militar da Bahia, como medida de segurança diante da grande concentração de pessoas.
Mesmo com vistorias realizadas pelo Departamento Estadual de Trânsito da Bahia, panes mecânicas ainda ocorrem e acabam afetando toda a fila de trios, criando atrasos em cadeia.
Discussão na concentração
Na segunda-feira, o impasse foi outro. Integrantes do Filhos de Gandhy reclamaram do horário de saída do Camaleão, alegando descumprimento de um acordo. Do trio, Bell respondeu dizendo que estava dentro do horário previsto e afirmou que o bloco é um dos que menos atrasam.
A definição da ordem e da logística é feita pelo Prefeitura de Salvador, com participação do Conselho Municipal do Carnaval e Outras Festas Populares. A programação oficial, porém, informa apenas horários gerais, o que abre espaço para disputas e interpretações diferentes entre blocos.
Problema antigo, pressão crescente
Os episódios reacendem uma discussão antiga: como equilibrar o número de atrações, o tamanho dos blocos e a segurança em um evento que reúne milhões de pessoas nas ruas. Sem ajustes no espaçamento e na fiscalização técnica dos veículos, os congestionamentos tendem a se repetir.
Enquanto isso, quem está na pipoca sente primeiro os efeitos, mais tempo parado, aperto e cansaço. Para o folião, pouco importa de quem é a culpa: o que se quer é trio andando e festa fluindo.
E você, acha que o intervalo entre os trios deveria ser maior para evitar esses travamentos no circuito?