O Carnaval de Salvador terminou com números grandiosos e discurso otimista da prefeitura, mas longe de unanimidade. Embora a festa tenha levado milhões de foliões às ruas, o clima de celebração dividiu espaço com trocas de farpas entre artistas, críticas sobre a perda do caráter popular e até questionamentos levados à Justiça.
Durante o balanço oficial, o prefeito Bruno Reis, do União Brasil, definiu esta edição como a “melhor de todos os tempos”. Segundo a gestão municipal, cerca de 12 milhões de pessoas circularam pelos circuitos ao longo dos dias de folia em Salvador, reforçando o peso econômico e turístico do evento.
Apesar do saldo positivo apresentado pela prefeitura, os bastidores contaram outra história. Em cima dos trios elétricos, artistas protagonizaram provocações públicas e respostas atravessadas, expondo rivalidades e descontentamentos. As discussões rapidamente repercutiram nas redes sociais e viraram assunto entre foliões.
Outro ponto de tensão foi a crescente reclamação sobre a elitização da festa. Parte do público e profissionais do setor cultural apontaram aumento de áreas pagas, camarotes mais caros e dificuldade de acesso aos espaços tradicionais, o que, segundo críticos, afasta a população que historicamente construiu o carnaval de rua.
As divergências chegaram também ao campo jurídico. A definição da ordem das apresentações nos circuitos oficiais motivou questionamentos e acabou sendo discutida nos tribunais, evidenciando a disputa por horários mais valorizados e maior visibilidade.
Assim, mesmo com recordes de público e faturamento, o carnaval deste ano deixa um recado claro: além da festa, há desafios de organização, inclusão e convivência que seguem no centro do debate.