O Conselho de Segurança da ONU deve analisar neste sábado (4) uma proposta que pode autorizar ações militares para garantir a circulação de navios no Estreito de Ormuz, região considerada vital para o comércio global de petróleo e atualmente sob tensão após bloqueio atribuído ao Irã.

A votação, inicialmente prevista para sexta-feira, foi adiada e ocorre em meio a divergências entre as principais potências. China, Rússia e França já sinalizaram que rejeitam qualquer autorização que abra espaço para intervenção militar na área, posição que pode barrar a proposta, já que os três têm poder de veto.

O texto em análise foi apresentado pelo Bahrein e prevê a adoção de “medidas defensivas necessárias” para assegurar a navegação comercial por um período inicial de seis meses. O ponto mais sensível do documento é justamente a possibilidade de uso da força para impedir bloqueios ou garantir a passagem de embarcações.

Nos bastidores, o impasse se arrasta há semanas. De um lado, países que defendem uma resposta mais dura alegam que a interrupção da rota representa ameaça direta à economia global. Do outro, há preocupação com uma possível escalada militar em uma das regiões mais sensíveis do planeta.

O chanceler do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, afirmou que a ação iraniana é “injustificada” e coloca em risco não apenas o fluxo de mercadorias, mas também infraestruturas civis, citando ataques a portos e aeroportos.

Para que a resolução seja aprovada, são necessários ao menos nove votos favoráveis entre os 15 membros do conselho, além da ausência de veto dos cinco países permanentes.

Enquanto a diplomacia tenta avançar, os reflexos já são sentidos no mercado internacional. Desde o fim de fevereiro, o preço do petróleo vem subindo diante da instabilidade no estreito, responsável pela passagem de cerca de 20% de toda a produção mundial da commodity, algo em torno de 20 milhões de barris por dia.

A crise se intensificou após confrontos envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana teria fechado a rota marítima, repetindo um cenário semelhante ao registrado em 2025, quando ataques a instalações nucleares ampliaram a tensão regional.

O desfecho da votação pode definir não apenas o futuro da navegação em Ormuz, mas também o rumo da crise no Oriente Médio nas próximas semanas.

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