Uma sequência de crimes graves contra mulheres, todos com algo em comum, a ordem partindo de dentro de presídios acendeu um alerta sério sobre a forma como o sistema de segurança pública vem sendo conduzido na Bahia.

Em menos de uma semana, ao menos três casos chamaram atenção pela ousadia e pelo nível de articulação dos criminosos, mesmo com líderes das ações já detidos pelo Estado.

O caso mais brutal envolve a morte de uma adolescente de 14 anos, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. A jovem desapareceu ao sair da escola e foi encontrada sem vida dias depois. A investigação aponta que a execução foi determinada por um detento custodiado na Cadeia Pública de Salvador. A motivação seria vingança.

Um homem que convivia há anos com a família da vítima é suspeito de ter atraído a adolescente. Ele chegou a participar das buscas e esteve ao lado de familiares durante mobilizações, numa tentativa de afastar qualquer suspeita. Acabou preso.

Poucos dias depois, outro crime reforçou o mesmo padrão. Uma idosa de 77 anos e duas filhas foram sequestradas no estacionamento de um shopping, em Salvador. As vítimas passaram horas sob ameaça até serem libertadas. Segundo a apuração, o mandante também estava preso no Complexo da Mata Escura e utilizava celular dentro da unidade para coordenar a ação.

No extremo sul do estado, mais um episódio com roteiro semelhante: uma adolescente de 16 anos foi sequestrada após criminosos identificarem ligação familiar com um ganhador da Mega-Sena. O plano também teria sido articulado de dentro de um presídio baiano. A jovem foi resgatada.

A repetição desse tipo de crime, em sequência, escancara um problema que não está nas ruas, mas dentro das unidades prisionais. Mesmo sob custódia, criminosos seguem comandando ações, o que levanta questionamentos diretos sobre o controle do sistema.

Dados das próprias unidades mostram um cenário preocupante. Há presídios operando acima da capacidade, com número reduzido de agentes e falhas na contenção de comunicação ilegal. Em algumas unidades, o efetivo disponível é muito inferior ao considerado mínimo, enquanto o uso de celulares por detentos continua sendo uma realidade.

Na prática, isso permite que ordens para sequestros, assassinatos e extorsões continuem saindo de dentro das celas, como mostram os casos recentes.

Diante desse cenário, a responsabilidade recai sobre o governo da Bahia, que administra o sistema prisional e define a política de segurança pública no estado. O problema não é novo, mas a sequência de crimes em curto intervalo de tempo reforça a sensação de falta de controle.

Enquanto medidas como revistas e uso de equipamentos são anunciadas, os resultados ainda não aparecem de forma efetiva. E quem sente o impacto direto dessa falha é a população, que vê criminosos atuando com liberdade, mesmo atrás das grades.

A situação expõe um desafio que vai além de operações pontuais: sem controle real dentro dos presídios, o sistema continua vulnerável, e funcionando, na prática, como base de comando para o crime organizado.

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