Os parentes da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida nacionalmente como Mãe Bernadete, receberam indenização do Governo da Bahia em decorrência do assassinato da ativista, ocorrido em agosto de 2023, no município de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. O valor pago não foi revelado, já que o acordo prevê confidencialidade.

A compensação foi definida por meio de negociação administrativa entre o Estado e a família, sem necessidade de ação judicial. O entendimento foi conduzido pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) em conjunto com a Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Segundo o governo, a solução extrajudicial buscou acelerar o amparo aos familiares e evitar uma disputa prolongada na Justiça.

Reconhecida pela defesa dos direitos das comunidades quilombolas, Mãe Bernadete vivia sob escolta policial havia cerca de dois anos antes do crime, devido a sucessivas ameaças. Conforme relatos da família, as intimidações se intensificaram com conflitos envolvendo a atuação de madeireiros ilegais na região.

De acordo com o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, a iniciativa também reforça a política estadual de proteção a lideranças sociais e defensores de direitos humanos. Ele afirmou que, embora nenhuma medida seja capaz de reparar a perda, o acordo pretende oferecer condições para que os familiares possam reconstruir a rotina após o impacto da violência.

Para Jurandy Pacífico, sobrinho da líder quilombola, o gesto representa um reconhecimento do sofrimento enfrentado pela família. Ele destacou a importância do apoio institucional, sobretudo no que diz respeito à segurança dos parentes, diante de um histórico de ameaças.

A família já havia sido marcada por outro episódio trágico. Em 2017, um irmão de Bernadete, conhecido como Binho do Quilombo, também foi morto, aumentando a sensação de vulnerabilidade entre os moradores da comunidade.

O caso de Mãe Bernadete ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre a proteção de lideranças comunitárias e a violência contra defensores de territórios tradicionais na Bahia.

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